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Três anos do 8 de janeiro: o dia em que a democracia brasileira foi atacada

Atos golpistas em Brasília marcaram a história política do país e se tornaram símbolo internacional da ameaça às instituições democráticas

Joédson Alves/Agencia Brasil

Por Karol Peralta

As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, completam três anos nesta quinta-feira (8) como um dos episódios mais graves da história recente do Brasil. O ataque às instituições democráticas, protagonizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, ultrapassou fronteiras, ganhou repercussão internacional e se consolidou como um marco sombrio da trajetória da democracia brasileira.


Foto: Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

A invasão à Praça dos Três Poderes

Naquela tarde de domingo, milhares de manifestantes marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam barreiras de segurança e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo era explícito: exigir um golpe de Estado para derrubar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente e empossado havia apenas uma semana.

O episódio representou o ápice da chamada trama golpista, um conjunto de ações articuladas para romper com a ordem constitucional e impedir a alternância legítima de poder no país.


Origem da trama golpista

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano começou a ser desenhado ainda em 2021, após a recuperação dos direitos políticos de Lula. A estratégia previa deslegitimar o sistema eleitoral, confrontar decisões do STF e criar um ambiente de instabilidade institucional caso Bolsonaro fosse derrotado nas urnas.

Com a confirmação do resultado das eleições de 30 de outubro de 2022, o movimento ganhou força e passou a se manifestar em diferentes frentes pelo país.


Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Reuters/Direitos reservados

Bloqueios de rodovias após a eleição

Horas após a divulgação do resultado eleitoral — Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% de Bolsonaro —, apoiadores do então presidente iniciaram bloqueios de rodovias federais. Foram mais de mil interdições, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os bloqueios provocaram transtornos logísticos, riscos de desabastecimento e cancelamento de voos, mas perderam força ao longo da primeira semana de novembro, após Bolsonaro pedir publicamente a liberação das estradas, sem reconhecer formalmente a derrota.


Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

Acampamentos em frente a quartéis

Com o enfraquecimento dos bloqueios, o foco do movimento se deslocou para acampamentos montados em frente a quartéis das Forças Armadas em diversas capitais e cidades do interior. Ao todo, foram mais de 100 acampamentos, sendo o principal em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.

De acordo com a denúncia da PGR, esses acampamentos tiveram anuência do então presidente e se transformaram em centros de articulação golpista, servindo como base logística e política para os atos de 8 de janeiro.


Foto: Adriano Machado/Arquivo Reuters/Direitos Reservados

Violência política e atos terroristas

O clima de radicalização culminou em episódios de violência política explícita em dezembro de 2022. No dia 12 de dezembro, data da diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manifestantes tentaram invadir a sede da Polícia Federal, incendiaram veículos e espalharam o caos em áreas centrais de Brasília.

Poucos dias depois, na véspera de Natal, uma tentativa de atentado a bomba foi frustrada nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. O objetivo, segundo as investigações, era provocar comoção social e acelerar uma intervenção militar.


Do caos à responsabilização judicial

Os atos de 8 de janeiro encerraram esse ciclo de radicalização com um ataque direto às instituições. A partir daí, teve início um amplo processo de responsabilização penal de financiadores, organizadores e executores dos atos golpistas.

Em decisão histórica, o STF condenou Bolsonaro e aliados por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, consolidando o entendimento de que os ataques não foram episódios isolados, mas parte de uma estratégia organizada.


Memória, democracia e reconstrução

Três anos depois, a data é marcada por eventos em defesa da democracia. No Palácio do Planalto, Lula participa de cerimônia com autoridades e representantes da sociedade civil. O STF também promove atividades no âmbito da campanha Democracia Inabalada, voltadas à preservação da memória institucional e ao fortalecimento dos valores democráticos.

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