Novo serviço nacional de saúde mental para mulheres em situação de violência será implantado gradualmente pelo SUS e integra o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio.

Da Redação
O Governo Federal anunciou a criação de um serviço nacional de teleatendimento psicológico voltado a mulheres em situação de violência. A iniciativa será oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e fortalecer a rede de proteção às vítimas.
O anúncio foi realizado durante as ações do mês dedicado às mulheres e integra o Pacto Brasil entre os Três Poderes para o Enfrentamento do Feminicídio, política que reúne diferentes órgãos públicos para prevenir e combater a violência de gênero.
Além do atendimento psicológico remoto, o pacote de cuidados prevê outras ações voltadas à saúde integral das mulheres, como atendimento humanizado na rede pública e procedimentos de reconstrução dentária para vítimas de agressão.
Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a medida busca ampliar o acolhimento e o suporte às mulheres que enfrentam violência.
“É dever do Estado proteger, cuidar e fortalecer as mulheres. Sabemos como a sobrecarga de trabalho e a violência de gênero comprometem fortemente a saúde mental das mulheres”, afirmou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o objetivo é tornar o SUS um espaço de acolhimento para mulheres que enfrentam diferentes formas de violência.
“Nós queremos que o SUS seja um dos lugares mais acolhedores para uma mulher em situação de qualquer tipo de violência”, declarou.
Atendimento começa em capitais e será ampliado
A oferta inicial do serviço de teleatendimento em saúde mental será implantada nas capitais Recife e Rio de Janeiro. A previsão é ampliar gradualmente o serviço para outras regiões do país.
A partir de maio, o atendimento deve chegar às cidades com mais de 150 mil habitantes e, em junho, estará disponível em todo o território nacional. A expectativa do Ministério da Saúde é realizar cerca de 4,7 milhões de atendimentos psicológicos por ano.
O acesso poderá ocorrer por encaminhamento de profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da rede de proteção, ou diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Após o cadastro e uma avaliação inicial sobre a situação de violência, a paciente receberá a data e o horário da consulta on-line. A primeira sessão deverá identificar riscos, necessidades e possíveis redes de apoio, integrando o atendimento psicológico com outros serviços da rede de saúde e assistência social.
Mutirão nacional de Saúde da Mulher
Outra ação anunciada é a realização do maior mutirão de Saúde da Mulher já promovido pelo SUS. A mobilização está prevista para os dias 21 e 22 de março e deverá ampliar a realização de exames e cirurgias em todo o país.
Durante o mutirão, pacientes que aguardam atendimento especializado serão convocadas, de acordo com a regulação local, para realizar procedimentos como consultas ginecológicas, cirurgias oftalmológicas, cardíacas, gerais e tratamentos oncológicos.
A mobilização envolverá hospitais universitários federais administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, além de institutos nacionais de referência e unidades hospitalares públicas, filantrópicas e privadas que integram programas do SUS.
Implante contraceptivo e unidades móveis
Entre as ações previstas está também a inserção do implante contraceptivo subdérmico conhecido como Implanon, método de longa duração e alta eficácia. O procedimento será realizado em 26 hospitais universitários, com expectativa de atender mais de mil mulheres durante a mobilização.
Outra estratégia prevista são as carretas de saúde da mulher, unidades móveis que oferecem exames e atendimentos especializados em diversas regiões do país.
Em 2026, as carretas devem percorrer 32 municípios em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pará e também em Mato Grosso do Sul, ampliando o acesso a serviços de saúde feminina em áreas com menor oferta de atendimento.
As medidas fazem parte de um conjunto de políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à ampliação do cuidado integral com a saúde das mulheres no Brasil.





