Sindicato afirma que aporte financeiro resolve apenas a crise imediata e aponta falhas estruturais na gestão da Santa Casa de Campo Grande

Por Karol Peralta
O Sinmed-MS reagiu com cautela ao acordo firmado no Ministério Público que prevê o repasse de mais de R$ 54 milhões à Santa Casa de Campo Grande. Para o sindicato, o recurso tem caráter emergencial e não resolve os problemas estruturais de gestão que, há anos, afetam médicos e demais profissionais da instituição.
O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana, afirmou que o sindicato acompanha a situação “com bastante cautela”, diante do histórico de atrasos salariais e instabilidade financeira enfrentada pelos profissionais da Santa Casa. Segundo ele, os problemas se arrastam há anos e expõem médicos e trabalhadores a um cenário recorrente de insegurança.
Na avaliação da entidade, o aporte de recursos públicos ajuda a conter a crise imediata, mas não garante estabilidade a médio e longo prazo. Santana destacou que a ausência de planejamento financeiro segue sendo um dos principais entraves, citando atrasos no pagamento do 13º salário e o acúmulo de honorários em atraso de médicos contratados como PJ (Pessoa Jurídica), inclusive em especialidades essenciais para o funcionamento do hospital.
O dirigente foi direto ao criticar a atual administração da instituição. Para ele, a situação revela “carência acentuada de capacidade técnica de gestão”, o que levanta dúvidas sobre a possibilidade de a diretoria honrar compromissos futuros. “A grande preocupação que fica é se essa diretoria será capaz de arcar com seus próximos compromissos de forma responsável”, afirmou.
Diante do cenário, o Sinmed-MS defende fiscalização rigorosa e permanente sobre o uso dos recursos públicos repassados à Santa Casa. A proposta é que o acompanhamento seja institucional e multissetorial, envolvendo o Ministério Público, o Ministério Público do Trabalho, as secretarias estadual e municipal de Saúde, além do Conselho Municipal de Saúde e entidades representativas dos trabalhadores.
Segundo Santana, a fiscalização é fundamental para garantir transparência na aplicação do dinheiro público e permitir que o contribuinte compreenda como os recursos estão sendo utilizados. A partir desse acompanhamento, o sindicato aponta dois caminhos possíveis: se ficar comprovado o subfinanciamento, os valores devem ser ajustados; caso seja identificado mau uso de recursos públicos, os responsáveis devem ser responsabilizados.
O presidente do Sinmed-MS também alertou que a entidade seguirá monitorando o cumprimento do acordo e não descarta novas medidas judiciais. O sindicato espera, de forma imediata, a regularização do pagamento do 13º salário e dos honorários dos médicos PJ, alguns com atrasos que chegam a quase seis meses.
A manifestação ocorre após o anúncio de um pacote superior a R$ 54 milhões para a Santa Casa, com recursos do governo estadual, da Prefeitura de Campo Grande e de emendas da bancada federal. Mesmo assim, a falta de detalhamento oficial sobre os valores e o histórico de atrasos mantêm a desconfiança entre as categorias médicas.
Em paralelo, médicos contratados pelo regime CLT rejeitaram proposta da direção do hospital para pagamento tardio do 13º salário. O sindicato informou que acionaria a Justiça para garantir a quitação imediata do benefício.





