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Rotina sobrecarregada pode comprometer saúde emocional e aprendizado de crianças

Excesso de atividades e pressão por desempenho aumentam casos de ansiedade, irritabilidade e dificuldades escolares

Por Karol Peralta

A agenda cheia, marcada por aulas, cursos e cobranças constantes, tem se tornado parte da rotina de muitas crianças brasileiras. O que começa como uma tentativa de ampliar oportunidades pode, aos poucos, gerar sobrecarga emocional, ansiedade e prejuízos no aprendizado, transformando a infância em uma maratona diária sem espaço para descanso e brincadeiras espontâneas.


Infância acelerada e a lógica da produtividade precoce

Sai da escola, vai para o inglês. Do inglês, segue para o esporte. Depois, tarefa, banho rápido e pouco tempo para descansar. Essa rotina intensa, cada vez mais comum, reflete uma infância acelerada, marcada pela busca por desempenho e resultados desde cedo.

Segundo especialistas, a intenção dos pais costuma ser positiva: estimular habilidades, ampliar horizontes e preparar para o futuro. No entanto, o excesso de compromissos pode ultrapassar o limite saudável. Para a psicóloga e pedagoga Maísa Colombo, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, tanto a falta quanto o excesso de estímulos podem ser prejudiciais. O equilíbrio, segundo ela, é fundamental para o desenvolvimento infantil.


Pressão constante afeta emoções e comportamento

Na visão da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ambientes excessivamente exigentes contribuem para a formação de crenças disfuncionais ainda na infância. Entre elas, a ideia de que a criança só será valorizada se apresentar bom desempenho ou de que errar não é permitido.

Esse cenário pode gerar ansiedade infantil, irritabilidade, medo de falhar e dificuldade de autorregulação emocional. Estudos apontam que o cérebro da criança precisa de um equilíbrio entre estrutura, vínculo, brincadeira e tempo livre para consolidar aprendizagens e desenvolver autonomia emocional.


Quando a rotina deixa de respeitar a criança

O sinal de alerta surge quando a organização do dia passa a atender mais às expectativas dos adultos do que às necessidades e interesses da criança. A ausência de espaço para descanso e brincar espontâneo pode comprometer a construção da personalidade e da autonomia.

Os sinais nem sempre são evidentes. Irritabilidade constante, choro frequente, dificuldade de concentração, alterações no sono e ansiedade excessiva costumam ser interpretados como “fase” ou “birra”, mas podem indicar sobrecarga emocional. Também são comuns queixas físicas, como dor de cabeça e dor de barriga, além de perfeccionismo precoce, agressividade e desmotivação.


Impactos no aprendizado e no desenvolvimento

Com o tempo, os efeitos da sobrecarga se estendem para diferentes áreas. No campo cognitivo, o excesso de atividades pode prejudicar a atenção, a memória e a consolidação da aprendizagem. No aspecto emocional, aumenta o risco de baixa tolerância à frustração e dependência de validação externa.

Na escola, podem surgir queda no rendimento, resistência em frequentar as aulas e comportamentos opositores, especialmente quando o ambiente escolar passa a ser associado apenas a cobrança e cansaço.


Tempo livre também é desenvolvimento

Especialistas reforçam que o tempo livre não deve ser visto como tempo perdido. É nesse espaço que a criança desenvolve criatividade, autonomia, capacidade de resolver problemas e regulação emocional. Até o chamado “tédio saudável” desempenha papel importante, ao estimular a imaginação e a iniciativa própria.

Para promover equilíbrio, a orientação é limitar atividades extracurriculares, garantir momentos diários de descanso, respeitar o ritmo individual da criança e evitar comparações. Ouvir com atenção e priorizar o bem-estar emocional, e não apenas o desempenho, são atitudes essenciais.


Quando buscar ajuda profissional

Quando sinais como ansiedade intensa, distúrbios do sono persistentes, regressões comportamentais, isolamento social, queixas psicossomáticas frequentes ou sofrimento emocional visível se mantêm ao longo do tempo, a recomendação é buscar orientação profissional.

Esses sinais podem indicar que a criança já não consegue se autorregular emocionalmente e precisa de apoio para retomar o equilíbrio.


Infância não é competição

Para os especialistas, o desafio está em não transformar a infância em um percurso guiado apenas por metas e resultados. Além de atividades, a criança precisa de tempo, afeto, segurança e liberdade para brincar fatores fundamentais para a construção de uma saúde emocional sólida ao longo do crescimento.

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