Peru vai às urnas em meio à crise política e pode eleger décimo presidente em 10 anos

Com 35 candidatos e cenário fragmentado, eleição presidencial no Peru tem resultado imprevisível e impacto geopolítico

Da Redação

A eleição geral realizada neste domingo (12) no Peru ocorre sob forte instabilidade política e pode levar o país a eleger seu décimo presidente em apenas uma década. O cenário reflete uma sucessão de renúncias, impeachments e crises institucionais que marcaram a política peruana nos últimos anos.

Cerca de 27 milhões de eleitores foram convocados para escolher o novo presidente, o vice e os representantes do Congresso para os próximos cinco anos. Além disso, o pleito marca a reabertura do Senado, extinto há mais de três décadas e retomado após decisão do Congresso em 2024, mesmo com rejeição popular anterior em plebiscito.

Com 35 candidatos na disputa — número que evidencia a fragmentação política — o resultado é considerado imprevisível. A apuração deve começar a ser divulgada por volta da meia-noite.

Entre os nomes mais conhecidos, Keiko Fujimori aparece à frente nas pesquisas, com cerca de 15% das intenções de voto. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela tenta novamente chegar ao poder após derrotas em três segundos turnos consecutivos. Apesar da liderança, enfrenta alta rejeição, o que pode limitar seu desempenho decisivo.

A definição de quem deve disputar o segundo turno ao lado de Fujimori permanece aberta. Outros candidatos aparecem tecnicamente empatados, sem um nome consolidado como favorito, o que amplia a incerteza do processo eleitoral.

No campo da direita, destacam-se ainda Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, conhecido pelo discurso ultraconservador e alinhamento ao liberalismo econômico, além do humorista Carlos Álvarez. Já entre os candidatos de esquerda, o cenário é ainda mais pulverizado, com nomes como Roberto Sánchez, apoiado pelo ex-presidente Pedro Castillo, além de Vladimir Cerrón, Ricardo Belmont e Alfonso López-Chau.

Especialistas avaliam que a eleição também tem implicações internacionais. Segundo o professor Gustavo Menon, a disputa ocorre em meio à competição comercial entre China e Estados Unidos na América Latina, com o Peru ocupando posição estratégica, especialmente pelo fortalecimento de rotas comerciais ligadas ao Pacífico.

A instabilidade recente ajuda a explicar o momento atual. Em 2021, o então presidente Pedro Castillo foi eleito como surpresa, mas acabou destituído e preso após tentar dissolver o Parlamento. Sua sucessora, Dina Boluarte, enfrentou forte rejeição e deixou o cargo em meio a protestos e crise social. Desde então, o país passou por sucessivas trocas no comando, consolidando um cenário de incerteza institucional.

Diante desse histórico e da fragmentação política atual, o próximo governo pode enfrentar dificuldades de governabilidade, independentemente de quem vença a disputa.

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