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Parlamento Europeu aprova moção para contestar acordo UE–Mercosul e pode atrasar pacto em até dois anos

Medida levada ao tribunal europeu reacende impasse político e divide países do bloco

Por Karol Peralta

Os parlamentares da Parlamento Europeu aprovaram nesta quarta-feira (21) uma moção para contestar o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, abrindo caminho para que o tratado seja analisado pelo tribunal superior do bloco. A iniciativa pode atrasar a implementação do pacto por até dois anos e, em cenário extremo, inviabilizar sua entrada em vigor.


Acordo histórico volta ao centro do debate

A União Europeia assinou no sábado seu maior acordo comercial de todos os tempos com o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa ser aprovado formalmente para começar a valer.

A nova moção aprovada no Parlamento questiona se o acordo pode ser aplicado antes da ratificação completa por todos os países-membros e se suas cláusulas restringem a capacidade da União Europeia de definir políticas ambientais e de proteção ao consumidor.


Oposição liderada pela França

Os opositores do pacto, liderados pela França — maior produtora agrícola da União Europeia — afirmam que o acordo pode resultar em aumento expressivo das importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando agricultores europeus. O tema tem provocado protestos recorrentes no setor agrícola em diversos países do bloco.

Um grupo de 144 parlamentares apresentou a moção solicitando que o Tribunal de Justiça da União Europeia decida se o acordo pode ser aplicado provisoriamente antes da ratificação completa. Normalmente, o tribunal leva cerca de dois anos para emitir esse tipo de parecer.


Votação apertada e risco político

A moção foi aprovada por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, evidenciando a divisão interna no Parlamento Europeu. Caso a consulta avance, a União Europeia ainda poderia implementar o acordo de forma provisória enquanto aguarda a decisão judicial, mas analistas avaliam que essa opção enfrenta forte resistência política e risco de anulação posterior pelo próprio Parlamento.


Defensores citam EUA e China como fatores estratégicos

Os apoiadores do acordo, entre eles Alemanha e Espanha, argumentam que o pacto é estratégico para compensar perdas comerciais causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump, e para reduzir a dependência europeia da China, garantindo acesso a minerais considerados essenciais.

Eles também alertam que os países do Mercosul demonstram crescente impaciência com a União Europeia, após mais de 20 anos de negociações, o que pode enfraquecer a posição europeia em futuras disputas comerciais globais.

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