Em missa dominical, religioso afirma que ações sociais voltadas à população em situação de rua são alvo de ataques e desinformação

Por Karol Peralta
Em sua primeira missa dominical após ser proibido pela Arquidiocese de São Paulo de transmitir celebrações religiosas pela internet, o Padre Júlio Lancellotti afirmou neste domingo (21) que as ações da Pastoral de Rua, voltadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social, estão sendo alvo de conspiração e ataques organizados.
Ao final da celebração, o religioso disse que, enquanto parte da sociedade se une em torno da fé e da solidariedade, outros grupos se organizam para disseminar ódio e desinformação. Segundo ele, os ataques partem, em grande parte, de pessoas que desconhecem a história e o funcionamento das iniciativas sociais desenvolvidas pela pastoral.
“Assim como nós nos juntamos para dizer que somos irmãos, muitos se juntam também para conspirar. Outros se organizam para destilar o seu ódio”, afirmou o padre durante sua fala aos fiéis.
Ações sociais são mantidas por doações
Durante a homilia, Padre Júlio Lancellotti relembrou o trabalho realizado em espaços como o Centro Santa Dulce, a Casa Santa Virgínia e a Casa Nossa Senhora das Mercês, que oferecem acolhimento, alimentação e apoio a pessoas em situação de rua.
O religioso destacou que as atividades desenvolvidas pela Pastoral de Rua não recebem recursos do poder público e são sustentadas exclusivamente por doações voluntárias. Como exemplo, citou a padaria comunitária mantida pela pastoral, responsável pela produção diária de cerca de 2 mil pães, distribuídos em diferentes pontos da capital paulista.
“Quem quer saber o que é feito é só visitar os trabalhos. É só ir para uma das casas. Nada disso é custeado pelo poder público. É a boa vontade de todos”, afirmou.
Defesa de grupos historicamente discriminados
Em outro trecho de sua fala, o padre voltou a defender publicamente grupos que, segundo ele, enfrentam discriminação estrutural na sociedade. Entre eles, citou pessoas em situação de rua, trabalhadores sem terra, povos indígenas, negros, mulheres e o povo palestino.
“Até o fim, nós estaremos com aqueles que lutam pela terra, pelos povos indígenas, pelas mulheres, pelos negros, por todos os que são discriminados. Mesmo que sejamos diminuídos ou feridos, nós amaremos até o fim”, declarou.
Transmissão ocorreu apesar da proibição
Apesar da determinação da Arquidiocese de São Paulo, que proibiu o religioso de realizar transmissões pelas próprias redes sociais, a missa deste domingo foi exibida ao vivo no Instagram pela Rede Jornalistas Livres.
Procurada ao longo da semana para comentar a decisão e as declarações feitas pelo padre, a Arquidiocese de São Paulo não se manifestou até a publicação desta reportagem.





