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ONU afirma que ação militar dos EUA na Venezuela torna o mundo menos seguro

Organização critica intervenção militar unilateral, diz que ofensiva viola o direito internacional e não representa avanço para os direitos humanos.

Por Karol Peralta

A Organização das Nações Unidas declarou nesta terça-feira (6) que a ação militar dos Estados Unidos na Venezuelatorna o mundo menos seguro”. A avaliação foi feita pela porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, durante entrevista coletiva, ao comentar a escalada de tensão provocada pela ofensiva norte-americana em território venezuelano.

Segundo a ONU, a operação conduzida pelos Estados Unidos não encontra respaldo no direito internacional e não pode ser justificada mesmo diante do “longo e deplorável histórico de violações de direitos humanos” atribuídas ao governo venezuelano. Para Ravina Shamdasani, a responsabilização por abusos não deve ocorrer por meio de intervenção militar unilateral, prática que fere normas internacionais consolidadas.

A porta-voz afirmou ainda que a ofensiva “está longe de ser uma vitória dos direitos humanos” e representa uma afronta direta à soberania da Venezuela, além de contrariar princípios centrais da Carta das Nações Unidas. De acordo com a ONU, o uso da força nesse contexto compromete a arquitetura da segurança internacional e amplia riscos de instabilidade regional.

Shamdasani também ressaltou que a ação militar viola o princípio fundamental da lei internacional, que proíbe Estados de ameaçar ou usar força contra a integridade territorial ou a independência política de outro país. Para o organismo internacional, esse tipo de iniciativa tende a agravar conflitos, em vez de promover soluções duradouras.

Ataque e desdobramentos políticos

No sábado (3), forças dos Estados Unidos invadiram Caracas e sequestraram o então presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. O casal foi levado para Nova York.

Na segunda-feira (5), ocorreu uma audiência de custódia, na qual Maduro declarou ser inocente das acusações apresentadas pelo governo do então presidente norte-americano Donald Trump.

Com a retirada forçada de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente, em meio a um cenário de incerteza política e forte reação internacional.

A ONU reforçou que acompanha os desdobramentos do caso e voltou a defender soluções diplomáticas, respeito às instituições multilaterais e mecanismos internacionais de responsabilização para violações de direitos humanos.

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