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O que é job hopping e por que cada vez mais profissionais decidem não ficar no emprego

Fenômeno expõe limites da gestão tradicional e mostra que salário já não é o principal fator de permanência

Por Karol Peralta

Mudar de emprego em poucos meses deixou de ser exceção e passou a refletir uma transformação profunda na relação entre profissionais e empresas. Conhecido como job hopping, o movimento revela que a decisão de permanecer em um trabalho está cada vez mais ligada a propósito, clima organizacional e coerência entre valores pessoais e a cultura corporativa, especialmente entre os mais jovens.


Rotatividade elevada entre jovens no Brasil

No Brasil, os números ajudam a dimensionar esse cenário. Jovens entre 18 e 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego, segundo dados do Ministério do Trabalho. Em 2024, a rotatividade nessa faixa etária chegou a 96,2%, evidenciando uma relação mais curta e menos tolerante com ambientes que não oferecem sentido ao profissional.

O chamado job hopping termo que pode ser traduzido como “salto de emprego” descreve a prática de trocar de empresa em intervalos curtos. Ao contrário da visão tradicional, o comportamento não está necessariamente associado à instabilidade, mas à busca por aprendizado acelerado, crescimento profissional e alinhamento ético.


Alinhamento de valores pesa mais que estabilidade

Para Angela Maria Frata, coordenadora dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Gestão de Recursos Humanos da Estácio, a permanência no emprego depende menos de fatores objetivos e mais da identificação entre pessoa e organização.

Segundo ela, quando valores, propósito e visão de mundo do profissional estão alinhados com os da empresa, a chance de permanência é significativamente maior. Práticas como flexibilidade de horários, escuta ativa, comunicação não violenta e abertura ao diálogo também se tornaram decisivas para criar vínculos mais duradouros.


Nova geração escolhe onde faz sentido ficar

A mudança de comportamento é mais visível entre profissionais mais jovens, que tendem a escolher empresas a partir do significado que elas representam. Ambientes rígidos, hierárquicos e pouco abertos à diversidade de ideias costumam acelerar pedidos de demissão.

Levantamentos indicam que busca por novas oportunidades (38%), falta de reconhecimento (34%) e questões éticas (28%) estão entre os principais motivos de desligamento. Estresse, saúde mental e baixa flexibilidade também aparecem com frequência.


Clima organizacional e liderança entram no centro da decisão

Pesquisas internas mostram que o salário é apenas um dos elementos considerados na decisão de permanecer. Propósito, relacionamento com lideranças, autonomia e ambiente de trabalho saudável ganharam peso equivalente ou até maior nesse processo.

Modelos de gestão participativa, baseados em escuta e negociação, tendem a reter mais talentos do que estruturas autoritárias. Em cenários em que as remunerações são semelhantes entre empresas, fatores subjetivos acabam sendo decisivos para a escolha.


Carreira linear perde espaço no mercado atual

Nesse novo contexto, a ideia de uma carreira construída ao longo de décadas em uma única empresa perde força. Com menos garantias e mais exigência de adaptação, o job hopping surge como resposta a um mercado mais dinâmico, e não como rejeição ao compromisso.

Para as empresas, o recado é claro: reter talentos hoje exige mais do que bons contratos. Exige coerência entre discurso e prática, liderança preparada, flexibilidade e respeito às pessoas. Afinal, ficar passou a ser uma escolha e conquistar essa escolha se tornou o verdadeiro desafio.

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