Dados da SCTIE mostram que 55% dos estudos aprovados são coordenados por pesquisadoras, fortalecendo a ciência no SUS e a inovação em saúde pública

Da Redação
O Ministério da Saúde tem ampliado o protagonismo feminino em projetos científicos, tecnológicos e de inovação voltados ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Dados recentes apontam que 55% dos estudos aprovados em chamadas públicas são coordenados por mulheres, reforçando a presença feminina na produção de conhecimento estratégico para a saúde pública brasileira.
Pesquisa inédita sobre trauma raquimedular avança no país
Um dos destaques é o estudo sobre o uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM). A pesquisa é liderada pela professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e recebeu autorização do Ministério da Saúde e da Anvisa para iniciar a fase 1 do estudo clínico.
A iniciativa representa avanço regulatório e científico ao possibilitar o desenvolvimento de uma terapia inédita para pacientes com lesões na medula espinhal, ampliando a integração da pesquisa clínica ao SUS e fortalecendo o acesso a tratamentos inovadores.
O protagonismo feminino na ciência ganha ainda mais relevância no contexto do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, data que reforça a importância da equidade de gênero no setor.
Mais da metade dos estudos é coordenada por mulheres
As chamadas públicas coordenadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTIE/MS) aprovaram 336 estudos, dos quais 186 têm liderança feminina. Além disso, na modalidade de contratação direta para pesquisas estratégicas, cinco dos oito projetos financiados são liderados por pesquisadoras.
Os projetos têm duração média de 24 meses e abrangem áreas estratégicas para o fortalecimento das políticas públicas de saúde.
Outra iniciativa recente recebeu investimento de R$ 1 milhão para avaliação de políticas e programas em saúde. Dos sete projetos selecionados, seis são coordenados por mulheres.
Diversidade fortalece a qualidade científica
O incentivo à participação feminina é considerado estratégico para atender às demandas do SUS, reconhecido como um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo com acesso universal e gratuito.
Pesquisadoras destacam que, apesar dos avanços, ainda há desafios relacionados à ocupação de cargos de liderança e à conciliação entre carreira científica e responsabilidades familiares. A ampliação de ambientes mais inclusivos e equitativos é apontada como fundamental para fortalecer a produção científica brasileira e promover uma ciência mais diversa.
A avaliação é que políticas contínuas de incentivo podem reduzir desigualdades históricas e ampliar a presença feminina em áreas estratégicas de inovação em saúde.





