Nova projeção do Banco Central indica terceira queda seguida na expectativa do IPCA, após resultado de outubro registrar a menor inflação para o mês em quase 30 anos.

Por Karol Peralta
A estimativa para a inflação oficial do Brasil recuou novamente, conforme dados atualizados do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central com previsões das principais instituições financeiras do país. A projeção do IPCA para 2025 caiu de 4,45% para 4,43%, movimento motivado pelo resultado de outubro — o menor para o mês em quase três décadas.
Para os anos seguintes, as expectativas também foram ajustadas: a inflação estimada passou de 4,18% para 4,17% em 2026; 3,8% em 2027; e 3,5% em 2028.
Inflação de outubro e meta do BC
Segundo o IBGE, o IPCA de outubro fechou em 0,09%, influenciado principalmente pela redução na conta de luz. Esse foi o menor resultado para o mês desde 1998. Em setembro, a inflação havia marcado 0,48%.
Com esse desempenho, o acumulado de 12 meses caiu para 4,68%, ficando abaixo de 5% pela primeira vez em oito meses, mas ainda acima do teto da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — que é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Selic permanece em 15%, mas incertezas persistem
Para conter a inflação, o principal instrumento do Banco Central continua sendo a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. O Copom manteve o índice pela terceira vez consecutiva, diante do cenário de desaceleração econômica e da recente queda nos preços.
Apesar disso, o BC sinaliza que pode voltar a subir os juros “caso julgue apropriado”, especialmente diante da instabilidade no ambiente internacional e das incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos.
Expectativas para os próximos anos
As projeções do mercado financeiro indicam que a Selic seguirá elevada por um período prolongado. A expectativa é que a taxa termine 2025 em 15%, caindo para 12% em 2026, 10,5% em 2027 e 9,5% em 2028.
Especialistas explicam que juros altos reduzem o consumo e encarecem o crédito, contribuindo para conter a pressão inflacionária. Por outro lado, dificultam a expansão da economia, já que impactam investimentos e o acesso ao financiamento.
Impactos sobre a economia
Quando a Selic é elevada, o objetivo é desacelerar a demanda interna, ajudando a frear os preços. Bancos e instituições financeiras também consideram fatores como risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro no cálculo dos juros cobrados do consumidor.
Em contrapartida, quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando a produção e o consumo. Isso, porém, reduz o controle sobre a inflação, exigindo cautela nas decisões do Copom.
As novas projeções do Boletim Focus indicam que, apesar da melhora recente, o cenário segue desafiador, exigindo atenção aos próximos passos da política monetária.





