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Mais de 17 milhões deixam a pobreza em dois anos e passam a integrar classes A, B e C no Brasil

Ascensão social acelerada entre 2022 e 2024 supera períodos históricos e é impulsionada pela renda do trabalho e políticas de transferência de renda

Por Karol Peralta

Em apenas dois anos, 17,4 milhões de brasileiros saíram da pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C, movimento que representa uma das maiores transformações sociais já registradas no país. O contingente equivale à população inteira do Equador e revela um ritmo de ascensão social 74% mais rápido do que o observado entre 2003 e 2014, período também marcado por forte mobilidade econômica.

O levantamento foi realizado pela Fundação Getulio Vargas, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, abrangendo o período de 1976 a 2024. Segundo o estudo, apenas entre 2022 e 2024, a parcela da população inserida nas classes A, B e C cresceu 8,44 pontos percentuais, indicando uma mudança estrutural relevante na composição social do Brasil.

Renda do trabalho puxa a nova classe média

De acordo com o diretor da FGV Social e autor do estudo, Marcelo Neri, o principal motor dessa transformação foi o aumento da renda do trabalho, associado a políticas que estimularam a formalização do emprego. Para ele, a regra de proteção do Bolsa Família teve papel decisivo ao permitir que beneficiários ingressassem no mercado formal sem perda imediata do benefício, criando incentivos à geração de carteiras assinadas, símbolo da chamada nova classe média.

Nos últimos dois anos, entre 13 e 14 pontos percentuais do crescimento das classes A, B e C foram representados por famílias que recebem o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), reforçando a conexão entre políticas de proteção social e mobilidade econômica.

O que define as classes A, B e C

As classes sociais A, B e C são categorias amplamente utilizadas em estudos socioeconômicos para classificar a população de acordo com a renda familiar. A classe C, tradicionalmente associada à classe média, reúne famílias que conseguem suprir necessidades básicas e manter algum nível de consumo. Já as classes A e B concentram faixas de renda mais elevadas, com maior estabilidade financeira e poder aquisitivo.

Participação histórica da classe média

Em 2024, o Brasil atingiu o maior nível histórico de participação das classes A, B e C desde 1976. Juntas, essas faixas passaram a representar 78,18% da população, acima da média anual registrada nas últimas décadas. A classe C concentrou 60,97% dos brasileiros, enquanto as classes A e B somaram 17,21%.

No sentido oposto, as classes D e E alcançaram os menores percentuais já observados, com 15,05% e 6,77%, respectivamente, sinalizando uma redução consistente da pobreza extrema e da vulnerabilidade social.

Impacto das políticas sociais e do crescimento econômico

Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os números refletem a força de políticas públicas integradas a educação, saúde e inclusão produtiva. Segundo ele, o crescimento econômico acima de 3% ao ano, aliado à ampliação do emprego e ao estímulo a pequenos e médios negócios, tem elevado a renda e impulsionado o consumo interno.

O ministro também destacou a estratégia defendida pelo presidente Lula, de colocar recursos nas mãos das famílias mais pobres, permitindo que o auxílio inicial se transforme em porta de entrada para o mercado de trabalho ou para o empreendedorismo. O resultado, segundo o estudo, é um ciclo contínuo de crescimento econômico sustentado pelo fortalecimento da base da pirâmide social.

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