Setor pecuário vê restrições comerciais se acumularem e cobra posicionamento do governo brasileiro

Por Karol Peralta
A decisão do México de impor limites à importação de carne bovina com taxa zero, adotando cotas e tributação sobre volumes excedentes, gerou preocupação no setor pecuário brasileiro. A medida é vista como mais um sinal de fechamento de mercados internacionais, em um contexto de restrições semelhantes já aplicadas por outros grandes importadores de proteína animal.
A avaliação foi manifestada pela Acrissul, que acompanha com atenção a sucessão de ações adotadas por países como Estados Unidos e Japão, além do México. Nos últimos meses, esses mercados passaram a recorrer a cotas, tarifas adicionais ou outros mecanismos de limitação às importações de carne bovina e suína, afetando diretamente exportadores competitivos como o Brasil.
Segundo a entidade, embora cada país apresente justificativas próprias para as medidas, o conjunto das decisões indica uma tendência de proteção das produções nacionais, com impacto direto sobre o comércio internacional de alimentos. A iniciativa mexicana, ao estabelecer tributação para volumes que ultrapassem as cotas, é interpretada como um movimento que reduz a previsibilidade para exportadores e pressiona a cadeia produtiva brasileira.
Pressão por resposta institucional
Diante do cenário, a Acrissul avalia que o Brasil não pode tratar o tema como um episódio isolado. A entidade defende que o Brasil adote uma postura mais ativa diante do avanço das barreiras comerciais, tanto no campo diplomático quanto nas negociações comerciais.
Entre os pontos levantados está a necessidade de discutir políticas de reciprocidade comercial, além do fortalecimento de acordos bilaterais e multilaterais, capazes de garantir maior equilíbrio nas relações internacionais e reduzir riscos para o agronegócio exportador.
Impactos no comércio de carne
O Brasil figura entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, e mudanças nas regras de acesso a mercados estratégicos tendem a gerar reflexos em toda a cadeia, do produtor ao setor industrial. Especialistas apontam que a imposição de cotas e tarifas pode afetar preços, volumes exportados e planejamento de médio e longo prazo das empresas.
O acúmulo de restrições em diferentes países amplia a pressão sobre o governo brasileiro para uma atuação coordenada que preserve a competitividade da carne brasileira no mercado internacional, em um momento de crescente disputa comercial e reorganização das cadeias globais de alimentos.





