Incentivo à cultura cresce pelo terceiro ano seguido e amplia alcance em todas as regiões do Brasil

Por Karol Peralta
A Lei Rouanet registrou, em 2025, o maior volume de captação de recursos de sua história, alcançando R$ 3,41 bilhões em investimentos viabilizados por meio de renúncia fiscal. O resultado representa um crescimento de 12,1% em relação a 2024 e consolida o terceiro ano consecutivo de recorde, segundo dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
Crescimento acelerado desde 2023
O avanço da captação reforça a retomada do setor cultural no país. Em 2023, o volume de recursos somou R$ 2,35 bilhões, passando para R$ 3,04 bilhões em 2024 e atingindo o patamar atual em 2025. No intervalo de dois anos, o crescimento acumulado foi de 45,1%.
Atualmente, 4.866 projetos culturais estão em execução em todas as 27 unidades da federação, abrangendo áreas como música, teatro, audiovisual, artes visuais, patrimônio cultural e literatura.
Norte e Centro-Oeste lideram expansão regional
A descentralização dos recursos aparece como um dos principais destaques do levantamento. A Região Norte apresentou o maior índice de crescimento proporcional do país, com a captação saltando de R$ 64,6 milhões em 2023 para R$ 117,2 milhões em 2025, alta de 81,4%.
O Centro-Oeste também registrou avanço expressivo, atingindo R$ 128,2 milhões em 2025 — crescimento de 96% em relação a 2023. Já o Nordeste acumulou alta de 57,4%, passando de R$ 148,6 milhões para R$ 233,9 milhões no mesmo período.
Sul e Sudeste mantêm protagonismo
Apesar da expansão nas regiões historicamente menos contempladas, Sul e Sudeste seguem concentrando parte relevante dos investimentos culturais. O Sul alcançou R$ 479,7 milhões em 2025, crescimento de 36,3% em comparação a 2023.
O Sudeste, principal polo de captação, chegou a R$ 1,72 bilhão, com aumento de 42,4% no período analisado, mantendo sua liderança no volume absoluto de recursos.
Incentivo cultural e impacto econômico
A Lei Rouanet é considerada um dos principais mecanismos de financiamento da cultura no país, permitindo que produtores culturais, artistas e instituições apresentem projetos ao Ministério da Cultura. Após aprovados, os projetos estão autorizados a captar recursos junto a patrocinadores, que podem deduzir parte do valor do Imposto de Renda devido.
O modelo busca estimular a produção cultural, ampliar o acesso da população a bens culturais e movimentar cadeias econômicas locais, gerando emprego e renda em diferentes territórios.
Nacionalização do fomento
O crescimento em todas as regiões reflete uma estratégia de ampliação do alcance da política cultural, com ações voltadas à simplificação dos processos, formação de novos agentes culturais e ampliação da base de investidores. A tendência observada nos dados indica uma redistribuição gradual do fomento, sem redução dos recursos em áreas onde o incentivo já está consolidado.





