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Justiça determina que Prefeitura de Campo Grande crie Centro de Acolhimento e Adoção de Animais em até 180 dias

Decisão da 2ª Vara de Direitos Difusos atende ação do MPMS e obriga município a implantar políticas permanentes de castração, microchipagem e guarda responsável

Da Redação

Justiça obriga Campo Grande a criar centro para animais abandonados

A Prefeitura de Campo Grande deverá criar, no prazo de 180 dias, um Centro de Acolhimento Provisório e Adoção de Animais e implementar medidas permanentes voltadas ao bem-estar, castração e guarda responsável. A decisão é do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

A sentença atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apontou a ausência de estrutura pública adequada para acolher animais vítimas de abandono e maus-tratos no município.

Dados apontam superlotação em abrigos independentes

De acordo com o processo, o MPMS apresentou dados da Polícia Militar, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais (Decat) e da Comissão de Defesa dos Direitos Animais da OAB/MS, indicando que milhares de cães e gatos foram resgatados em situação de maus-tratos nos últimos anos.

Entre 2020 e 2022, mais de 2.800 animais estavam abrigados em espaços independentes, mantidos por voluntários que assumiam custos e responsabilidades sem apoio estrutural do poder público. A ação tramita desde 2023.

O que determina a decisão judicial

Conforme a sentença, o município deverá garantir:

  • Atendimento veterinário permanente;
  • Alimentação adequada;
  • Alojamentos separados por porte e condição de saúde;
  • Higienização regular das instalações;
  • Registro oficial com microchipagem;
  • Campanhas periódicas de adoção;
  • Programas de educação para guarda responsável;
  • Implantação de programa de famílias acolhedoras como alternativa ao abrigamento coletivo.

A decisão também estabelece que o poder público deve assegurar estrutura adequada para cães, gatos e outros animais abandonados ou vítimas de maus-tratos, garantindo condições dignas até o encaminhamento para adoção.

Município alega inviabilidade financeira

Na ação, o município sustentou que os pedidos do MP representam interferência indevida do Judiciário na execução do orçamento e nas políticas públicas locais. Também argumentou que o programa de famílias acolhedoras teria vício de inconstitucionalidade formal.

Sobre o Centro de Acolhimento Provisório, a prefeitura alegou inviabilidade técnica e financeira, estimando custo inicial superior a R$ 8,5 milhões para atender cerca de 300 animais.

Com base em parecer da Subsecretaria do Bem-Estar Animal, o município afirmou ainda que abrigos públicos podem estimular o abandono e gerar superlotação, comprometendo o bem-estar. A gestão defendeu ações como ampliação de castrações, consultas veterinárias gratuitas via convênio, fiscalização contra maus-tratos e incentivo a feiras de adoção.

A reportagem questionou a prefeitura sobre a sentença e aguarda posicionamento oficial.

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