IPCA cai para 0,24% em junho puxado por alimentos e estabilidade na educação, com destaque para a queda no preço do arroz, ovo e frutas

Por Karol Peralta
A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou em junho e fechou o mês em 0,24%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma leve queda de 0,02 ponto percentual em relação ao mês de maio, quando o índice foi de 0,26%.
A principal influência para o recuo foi a queda nos preços do grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou variação negativa de -0,18%. O destaque vai para os itens de consumo no domicílio, que recuaram de 0,02% em maio para -0,43% em junho. Produtos como ovo de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%) lideraram as reduções.
Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,46%, ligeiramente abaixo do registrado em maio (0,58%). O subitem lanche acelerou para 0,58%, enquanto a refeição desacelerou para 0,41%.
Energia e habitação também influenciam
Mesmo com a desaceleração geral, o grupo Habitação registrou alta de 0,99%, embora tenha recuado frente aos 1,19% de maio. O principal vilão foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,96% em junho devido à adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que adicionou R$ 4,46 por cada 100 kWh consumidos. O item foi o maior impacto individual no índice mensal.
A água e esgoto também pesaram, com reajustes tarifários em várias capitais, como Brasília (9,88%), Rio Branco (4,76%), Curitiba (3,83%) e Porto Alegre (6,58%).
Transportes voltam a subir
O grupo Transportes subiu 0,27% em junho, revertendo a queda de 0,37% registrada em maio. Mesmo com a queda nos combustíveis (-0,42%), a alta foi impulsionada pelos reajustes em serviços como transporte por aplicativo (13,77%), conserto de automóvel (1,03%) e táxi (0,64%), com destaque para o reajuste em Belo Horizonte (8,71%).
Vestuário e outros grupos
No grupo Vestuário, o índice foi de 0,75%, com altas na roupa masculina (1,03%), calçados e acessórios (0,92%) e roupa feminina (0,44%).
Já Educação, Saúde, Artigos de residência e Comunicação permaneceram praticamente estáveis, com variações pouco significativas.
Índices regionais: Campo Grande teve menor inflação do país
Entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, a maior variação foi registrada em Rio Branco (0,64%), puxada pelo fim da promoção de meia entrada em atividades culturais e alta na energia elétrica (3,99%). Já a menor inflação foi em Campo Grande (-0,08%), influenciada pela queda nos preços das frutas (-5,15%) e da gasolina (-1,38%).
Acumulado do ano e comparativo histórico
Com o resultado de junho, o IPCA acumula alta de 2,99% no ano e 4,23% nos últimos 12 meses, ficando dentro da meta de inflação do Banco Central. A energia elétrica residencial acumula alta de 6,93% no primeiro semestre, o maior resultado para o período desde 2018, quando o índice foi de 8,02%.
Com a desaceleração em junho, os dados mostram sinais de alívio para o consumidor, principalmente no setor de alimentos, ainda que outros serviços e tarifas públicas sigam pressionando o bolso da população.





