Índice oficial da inflação no Brasil recua em relação ao início do ano; Educação e Transportes lideram altas em fevereiro

Da Redação
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou 3,81% nos últimos 12 meses, apontando desaceleração em relação ao início do ano. O resultado ficou abaixo dos 4% registrados desde maio de 2024 e representa avanço frente ao índice de 4,44% observado em janeiro.
O recorte anualizado, que considera os 12 meses anteriores, é utilizado para analisar a tendência da inflação por reduzir efeitos pontuais de variações mensais.
Na comparação mensal, o IPCA passou de 0,33% em janeiro para 0,7% em fevereiro. Mesmo com a alta, o resultado é menor do que o registrado em fevereiro de 2025, quando a inflação mensal foi de 1,31%.
Com o resultado mais recente, o indicador voltou a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central do Brasil, que tem objetivo central de 3% ao ano, com margem de variação até 4,5%.
Educação lidera aumento de preços
Entre os grupos que mais influenciaram o resultado de fevereiro está o setor de Educação, que registrou alta de 5,21%. O aumento está associado principalmente aos reajustes anuais das mensalidades escolares, prática comum no início do ano letivo.
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, aproximadamente 44% do índice de fevereiro está relacionado ao segmento educacional.
Os cursos regulares tiveram alta média de 6,20%, com destaque para os seguintes subitens:
- Ensino médio: 8,19%
- Ensino fundamental: 8,11%
- Pré-escola: 7,48%
Transportes também pressionam inflação
Outro grupo que teve impacto significativo foi o de Transportes, responsável junto com Educação por cerca de 66% do resultado mensal.
Entre os principais aumentos estão:
- Passagem aérea: alta de 11,40%
- Seguro voluntário de veículos: 5,62%
- Conserto de automóvel: 1,22%
- Ônibus urbano: 1,14%
Já no caso dos combustíveis, o índice geral registrou queda de 0,47%, com redução nos preços da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%), enquanto etanol (0,55%) e óleo diesel (0,23%) apresentaram aumento.
Alimentação apresenta variação moderada
O grupo Alimentação e bebidas apresentou leve aceleração, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro.
Alguns produtos registraram queda de preços, entre eles:
- Frutas: -2,78%
- Óleo de soja: -2,62%
- Arroz: -2,36%
- Café moído: -1,20%
A alimentação fora de casa também desacelerou. O índice de refeições passou de 0,66% para 0,49%, enquanto lanches recuaram de 0,27% para 0,15%.
Cesta básica recua em parte das capitais
Dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que o preço da cesta básica caiu em 13 das 27 capitais brasileiras em fevereiro.
Entre os alimentos que contribuíram para a redução estão óleo de soja, açúcar, café e leite, que registraram queda de preços em várias regiões do país.
Sobre o índice de inflação
O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos e abrange diversas regiões metropolitanas do país, além do Distrito Federal e cidades como Campo Grande, Goiânia, São Luís, Rio Branco e Aracaju.
O próximo resultado do indicador, referente ao mês de março, está previsto para ser divulgado pelo IBGE em 10 de abril.





