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Incêndio em complexo residencial de Hong Kong deixa 128 mortos e 200 desaparecidos

Autoridades encerram combate às chamas após 42 horas; fogo se espalhou por andaimes e materiais inflamáveis em prédios em reforma

Foto:  Tyrone Siu/Reuters

Por Karol Peralta

O número de mortos no incêndio que devastou um complexo residencial em Hong Kong subiu para 128 pessoas, segundo atualização divulgada nesta sexta-feira (28). As autoridades também informaram que 200 moradores seguem desaparecidos e 79 ficaram feridos no que é considerado o pior incêndio registrado na cidade em décadas.


Incêndio consome prédios residenciais do complexo Wang Fuk Court, em 26 de novembro de 2025, em Hong Kong, China • VCG/VCG via Getty Images

Tragédia atinge conjunto construído nos anos 80

O incêndio começou na quarta-feira (26) e atingiu oito torres de cerca de 30 andares cada, que formam um complexo com 1.984 apartamentos em Tai Po, onde viviam aproximadamente 4 mil pessoas. As operações de combate foram concluídas às 10h18, horário local, após 42 horas de trabalho ininterrupto, informou o governo à agência AFP.

O secretário de Segurança da região, Chris Tang, afirmou que entre os mortos há 89 corpos ainda não identificados. Segundo ele, a lista de desaparecidos inclui também pessoas encontradas sem identificação.


Materiais inflamáveis podem ter acelerado o avanço das chamas

As investigações preliminares apontam que o fogo teria começado nos andares inferiores do edifício Wang Cheong, Bloco 6, parte do conjunto Wang Fuk Court. O complexo estava em reforma, e todas as torres estavam envolvidas por andaimes de bambu e telas de proteção verdes.

Bombeiros relataram ter encontrado placas de poliestireno expandido, um material altamente inflamável bloqueando janelas, o que pode ter contribuído para a propagação do fogo entre diferentes andares e prédios.

“O fogo incendiou as telas de proteção e rapidamente se espalhou para as placas de poliestireno ao redor das janelas, resultando em incêndio em outros andares e prédios”, explicou Tang.

Ele também destacou que, após o poliestireno pegar fogo, o calor intenso quebrou janelas, permitindo que as chamas avançassem para o interior dos apartamentos.


Foto: Reprodução/Reuters

Bombeiros enfrentaram temperaturas acima de 500ºC

Com o colapso de andaimes e redes de proteção, o incêndio se expandiu de forma simultânea para vários andares, criando múltiplos focos. As equipes enfrentaram temperaturas que ultrapassaram 500°C, o que dificultou o acesso aos apartamentos e o resgate de moradores.

Algumas unidades reacenderam mesmo após o controle inicial, prolongando ainda mais as operações.

Tang declarou que as telas de proteção cumpriam as normas de segurança, mas reforçou que a investigação completa deverá levar de três a quatro semanas.

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