Plano nacional prevê investimentos em atividade física, alimentação saudável e fortalecimento da atenção primária à saúde

Por Karol Peralta
O Governo do Brasil lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida da população. O anúncio foi feito na quarta-feira (28), logo após a divulgação da pesquisa Vigitel Brasil 2025, que revelou crescimento expressivo de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão e obesidade, entre adultos brasileiros.
A pesquisa Vigitel Brasil 2025 mostra que o número de adultos com diabetes no país aumentou 135% entre 2006 e 2024, saltando de 5,5% para 12,9% da população. No mesmo período, os dados também apontam crescimento de 31% nos casos de hipertensão, 118% na obesidade e 47% no excesso de peso, reforçando o impacto dos hábitos de vida na saúde da população.
Diante desse cenário, o Viva Mais Brasil surge como uma estratégia integrada para enfrentar o avanço das doenças crônicas não transmissíveis, articulando políticas públicas já existentes no Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliando ações voltadas à atividade física, alimentação adequada, cuidado integral e acesso à informação de qualidade.
Investimentos em atividade física e retomada da Academia da Saúde
Um dos principais eixos do programa é o incentivo à prática de atividade física. O Governo Federal anunciou R$ 340 milhões em investimentos para políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ampliação do programa permitirá o fortalecimento das academias vinculadas às unidades básicas de saúde, com contratação de profissionais e ampliação da oferta de serviços. A experiência acumulada ao longo dos anos indica que esses espaços contribuem para a redução do uso de medicamentos, inclusive ansiolíticos e antidepressivos, além de melhorar indicadores de bem-estar da população.
Atualmente, o Brasil conta com 1.775 Academias da Saúde em funcionamento. A expectativa do Ministério da Saúde é credenciar mais 300 novas unidades até o final de 2026, ampliando o acesso da população às ações de promoção da saúde.
Mudança de hábitos e qualidade de vida
O Viva Mais Brasil aposta na mudança de hábitos como estratégia central para reduzir o impacto das doenças crônicas. A iniciativa reúne ações voltadas à alimentação saudável, vida ativa, redução do consumo de álcool e tabaco, vacinação, saúde nas escolas, uso de tecnologias digitais e promoção da cultura da paz.
Ao todo, a estratégia estabelece 10 compromissos para viver mais e melhor, que incluem desde o estímulo à prática de atividades físicas até o fortalecimento da autonomia das pessoas sobre o cuidado com a própria saúde.
Hábitos dos brasileiros revelam desafios
Os dados do Vigitel Brasil 2025 também mostram mudanças no padrão de atividade física da população. A prática de atividade física no deslocamento diário caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, aumentou a proporção de adultos que realizam atividade física moderada no tempo livre, chegando a 42,3%.
O consumo regular de frutas e hortaliças permaneceu estável, em torno de 31% da população, indicando que a alimentação saudável ainda é um desafio para grande parte dos brasileiros.
Sono entra no radar das políticas públicas
Pela primeira vez, o Vigitel trouxe dados nacionais sobre qualidade do sono. O levantamento aponta que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres. Esses indicadores reforçam a necessidade de políticas integradas que considerem o sono como fator essencial para a saúde física e mental.
Fortalecimento da atenção primária e novos indicadores
Outro eixo central do Viva Mais Brasil é o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). Em 2025, o Ministério da Saúde estabeleceu 15 indicadores de qualidade para aprimorar o acompanhamento da saúde de crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Com o cumprimento desses indicadores, os municípios poderão ampliar em até 30% os repasses federais, fortalecendo ações de prevenção, promoção da saúde e melhoria do atendimento. O investimento específico no enfrentamento da hipertensão e do diabetes deve alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026.
Novo PAC Saúde amplia estrutura do SUS
A estratégia também dialoga com as entregas do Novo PAC Saúde, que prevê a construção de 2,6 mil novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a entrega de 800 Unidades Odontológicas Móveis, 10 mil combos de equipamentos para UBS e 7 mil kits de telessaúde, ampliando a capacidade de atendimento do SUS em todo o país.





