Diplomata Adolfo Curbelo afirma que novas sanções de Donald Trump agravam crise energética e impactam economia cubana

Da Redação
O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como “política genocida” o endurecimento do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Em entrevista concedida à Agência Brasil, em Brasília, o diplomata afirmou que as novas medidas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump ampliam a crise energética e afetam diretamente as condições de vida da população cubana.
O embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba teve início após a Revolução Cubana e já dura mais de seis décadas. Segundo o embaixador, as sanções foram reforçadas nos últimos anos, inclusive com restrições ao comércio de petróleo.
Em 29 de janeiro, Trump editou nova ordem executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. A medida prevê a aplicação de tarifas a produtos de países que forneçam ou vendam petróleo à ilha.
Impacto na energia e na economia
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), até 2023 Cuba dependia de derivados de petróleo para cerca de 80% da energia consumida no país. Segundo Curbelo, a restrição ao fornecimento de combustível tem provocado déficit na geração de eletricidade e longos apagões.
O diplomata afirmou que a economia cubana enfrenta dificuldades estruturais devido à limitação de importações e à obsolescência de parte das usinas termelétricas. Ele também declarou que o governo cubano tem adotado medidas de austeridade para priorizar hospitais, escolas e serviços essenciais.
Entre as estratégias adotadas está a ampliação da geração de energia solar. Segundo o embaixador, a instalação de painéis fotovoltaicos permitiu elevar a participação da energia solar na matriz elétrica nacional de 3% para 10%, com quase 40% da geração diurna proveniente dessa fonte.
Turismo e relações internacionais
Curbelo destacou ainda que o turismo, uma das principais fontes de divisas do país, também tem sido impactado pela escassez de combustível. Empresas aéreas enfrentam dificuldades operacionais diante da instabilidade no abastecimento.
No cenário internacional, o embaixador afirmou que há manifestações de apoio a Cuba por parte de países como Rússia, China e México, além de posicionamentos do Movimento dos Países Não Alinhados contrários às novas medidas norte-americanas.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também criticou publicamente a decisão dos Estados Unidos, classificando-a como tentativa de pressionar o governo da ilha.
Defesa da soberania
Durante a entrevista, o embaixador reiterou que Cuba mantém disposição para diálogo com Washington, desde que haja respeito à soberania e à não interferência em assuntos internos. Segundo ele, a independência do país é considerada inegociável pelo governo cubano.





