Canal registrou mais de 4,5 mil denúncias no ano e confirma maior patamar da série histórica desde 2011

Por Karol Peralta
O Disque Direitos Humanos – Disque 100 registrou, em 2025, o maior número de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão desde o início da série histórica, em 2011. Ao todo, foram 4.516 denúncias, um crescimento de 14% em relação a 2024, quando o canal contabilizou 3.959 registros, evidenciando a persistência dessa grave violação de direitos humanos no país.
Maior número de denúncias desde 2011
Os dados consolidam o maior patamar anual da série histórica do Disque 100 no monitoramento específico de trabalho escravo contemporâneo. Desde 2011, mais de 26 mil denúncias relacionadas a esse tipo de violação foram registradas em todo o Brasil.
Segundo especialistas, o crescimento dos números revela dois cenários paralelos: a continuidade do crime em diferentes regiões do país e o fortalecimento dos mecanismos de denúncia, com maior acesso da população aos canais de proteção do Estado.
Para o coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Paulo Cesar Funghi, o aumento dos registros reforça a necessidade de ações permanentes de enfrentamento. Ele avalia que o Disque 100 exerce papel estratégico ao encaminhar denúncias aos órgãos responsáveis, contribuindo para a responsabilização dos envolvidos e a proteção das vítimas.
Resgates de trabalhadores também crescem
Em 2025, ano que marcou os 30 anos do reconhecimento oficial da existência de formas contemporâneas de escravidão no Brasil, o país registrou 2.772 trabalhadores resgatados de situações de trabalho análogo à escravidão. As ações ocorreram em 1.594 fiscalizações realizadas em todo o território nacional.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias foram garantidos às vítimas. Além disso, cerca de 48 mil trabalhadores tiveram outros direitos trabalhistas assegurados durante as fiscalizações, mesmo nos casos em que não houve caracterização formal do crime.
Maior resgate ocorreu em Mato Grosso
O maior resgate de 2025 ocorreu entre os meses de julho e outubro, quando 586 trabalhadores foram libertados de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT). A operação teve início após um incêndio nos alojamentos onde as vítimas viviam.
Durante a fiscalização, foram constatadas condições degradantes, como superlotação, falta de água potável, ausência de energia elétrica e precariedade na higiene. Trabalhadores relataram jornadas exaustivas, que chegavam a 16 horas diárias, inclusive aos domingos.
Estados concentram fiscalizações e denúncias
Os estados com maior número de ações fiscais em 2025 foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. Já em relação ao número de trabalhadores resgatados, os destaques foram Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraíba.
No ranking de denúncias registradas, São Paulo lidera com 1.129 ocorrências, seguido por Minas Gerais (679), Rio de Janeiro (364), Bahia (255) e Rio Grande do Sul (245).
Perfil das denúncias
As denúncias recebidas em 2025 envolvem diferentes formas de exploração, incluindo trabalho escravo infantil, jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida e restrição de liberdade, com cerceamento do direito de ir e vir.
De acordo com os dados, o Disque 100 se consolidou como a principal porta de entrada nacional para identificação dessas violações e para o encaminhamento das informações aos órgãos de fiscalização e responsabilização.
Como denunciar
O Disque 100 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita, inclusive em fins de semana e feriados. As denúncias podem ser feitas de forma anônima ou identificada, por telefone, WhatsApp, Telegram ou pelo site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com atendimento também em Libras.
Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo
O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, foi instituído pela Lei nº 12.064/2009 em memória dos auditores fiscais assassinados em Unaí (MG), em 2004, durante uma operação de fiscalização. O episódio, conhecido como Chacina de Unaí, marcou a história do combate à exploração do trabalho no país.





