Com apenas 30,7% de adesão ao plano de demissão voluntária, estatal aposta em reestruturação, leilões e corte de custos para enfrentar crise financeira

Da Redação
A Correios registrou a adesão de 3.075 empregados ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 2026, número que representa 30,7% do público-alvo estipulado pela estatal. A expectativa inicial era de que cerca de 10 mil profissionais solicitassem o desligamento ao longo do período.
O prazo de adesão foi encerrado nesta terça-feira (8) e, segundo a empresa, não haverá prorrogação. Apesar da adesão abaixo do esperado, a projeção é de que a medida contribua para uma economia de aproximadamente R$ 1,4 bilhão já a partir de 2027.
Reestruturação mira recuperação financeira
O PDV integra o Plano de Reestruturação 2025–2027 da estatal, que busca reequilibrar as contas, melhorar a eficiência logística e reposicionar a empresa no mercado. A expectativa é de que, somado a outras ações adotadas no primeiro trimestre deste ano, o conjunto de medidas gere uma economia adicional de R$ 508 milhões anuais.
Em dezembro de 2025, os Correios obtiveram um empréstimo de R$ 12 bilhões para viabilizar o plano. À época, a projeção indicava a possibilidade de reduzir despesas em até R$ 5 bilhões até 2028.
Fechamento de agências e venda de imóveis
Entre as medidas previstas está o fechamento de cerca de 16% das agências próprias da empresa, o equivalente a aproximadamente 1 mil unidades de um total de 6 mil espalhadas pelo país.
Além disso, a estatal aposta na venda de imóveis ociosos como forma de reduzir custos e gerar receita. A estimativa é de arrecadar até R$ 1,5 bilhão com leilões. Em fevereiro, foi realizado o primeiro certame, com 21 imóveis ofertados em 11 estados.
Déficit bilionário pressiona mudanças
A reestruturação ocorre em meio a um cenário de crise financeira. Dados internos apontam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, além de patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025.
De acordo com a direção da estatal, as dificuldades financeiras se intensificaram a partir de 2016, impulsionadas principalmente pela digitalização das comunicações, que reduziu o volume de cartas — historicamente a principal fonte de receita da empresa.
Outro fator apontado é o aumento da concorrência no comércio eletrônico, com a entrada de novas empresas no setor logístico.
Estrutura nacional e serviços essenciais
Mesmo diante do cenário desafiador, os Correios mantêm presença em 100% dos municípios brasileiros. A estrutura conta atualmente com cerca de 10,3 mil unidades de atendimento, entre agências próprias e pontos parceiros, além de 1,1 mil centros de distribuição e tratamento.
Com aproximadamente 80 mil empregados diretos, a estatal desempenha funções estratégicas, como a entrega de encomendas, distribuição das provas do Enem em todo o país e logística eleitoral, incluindo o transporte de urnas eletrônicas para regiões de difícil acesso. Também atua em situações emergenciais, como no envio de suprimentos durante calamidades.



