Evento internacional aprova 69 medidas e inclui 40 espécies em listas de conservação, com impacto direto na biodiversidade global

Da Redação
Realizada em Campo Grande, às portas do Pantanal, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) terminou no domingo (29) com a aprovação de 69 medidas voltadas à proteção da biodiversidade global.
O principal avanço foi a inclusão ou reclassificação de 40 espécies, subespécies e populações nos Apêndices I e II da convenção — listas que tratam, respectivamente, de espécies ameaçadas de extinção e daquelas que dependem de cooperação internacional para sobreviver. Destas, 16 ocorrem no Brasil.
As negociações começaram em 23 de março e reuniram mais de 2,4 mil participantes. O Brasil seguirá na presidência da conferência pelos próximos três anos, período em que ficará responsável por acompanhar a implementação das decisões aprovadas.
Brasil amplia áreas protegidas e assume protagonismo
Durante a programação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso do país com a conservação ambiental e assinou decretos que ampliam áreas protegidas nos biomas Pantanal e Cerrado.
As medidas incluem a expansão do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, da Estação Ecológica do Taiamã, no Mato Grosso, e a criação de uma nova reserva em Minas Gerais. Juntas, as ações somam mais de 148 mil hectares de áreas protegidas.
O evento também consolidou o posicionamento do Brasil como articulador de acordos ambientais multilaterais, com participação direta em propostas aprovadas ao longo da conferência.
Espécies brasileiras entram na lista de proteção
Entre os resultados, estão inclusões relevantes de espécies que ocorrem no país. O surubim-pintado passou a integrar o Apêndice II, com foco no manejo sustentável e na cooperação internacional para conservação.
Também foram incluídos o caboclinho-do-pantanal, espécie de ave migratória, além de tubarões e outras espécies marinhas ameaçadas.
Outro destaque foi a inclusão da ariranha nos Apêndices I e II, ampliando a proteção internacional da espécie presente no Pantanal e na Amazônia.
Plano para bagres amazônicos e cooperação internacional
A conferência também aprovou o Plano de Ação Regional para os bagres migratórios da Amazônia, incluindo espécies como a dourada e a piramutaba.
A proposta envolve cooperação entre países sul-americanos e busca garantir a preservação de rotas migratórias, habitats críticos e cadeias produtivas sustentáveis.
O plano foi construído em articulação entre governos, organizações internacionais e entidades da sociedade civil, reforçando a atuação conjunta na conservação da biodiversidade.
Financiamento e estratégia global
Além das medidas ambientais, a COP15 aprovou a criação de uma estratégia de mobilização de recursos para apoiar países em desenvolvimento na implementação das ações previstas na convenção.
A proposta busca ampliar o financiamento internacional voltado à proteção de espécies migratórias, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade ambiental.
Participação social e produção científica
Durante o evento, espaços abertos ao público também integraram a programação, com debates, atividades culturais e ações de educação ambiental.
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul participou da conferência com apoio logístico e iniciativas voltadas à aproximação da sociedade com a pauta ambiental, incluindo atividades científicas e culturais.
Próxima edição será na Alemanha
Em celebração aos 50 anos da convenção, a Alemanha foi anunciada como sede da próxima edição, a COP16, prevista para 2029, na cidade de Bonn — onde o tratado foi assinado em 1979.





