Julgamento histórico do STF é destacado por jornais dos Estados Unidos, Europa e América Latina

Por Karol Peralta
Três anos após os atos que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado ganhou destaque na imprensa internacional. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), considerada inédita, marcou a primeira condenação de um ex-chefe de Estado brasileiro por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Escalada de atos após as eleições de 2022
Os ataques às instituições ocorreram após a divulgação do resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele período, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro passaram a exigir intervenção militar, com bloqueios de rodovias e acampamentos montados em frente a quartéis em diversas cidades do país.
A escalada de tensão incluiu ainda a implantação de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão da sede da Polícia Federal, também na capital federal.
STF condena ex-presidente e aliados
Em setembro do ano passado, por 4 votos a 1, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro e sete aliados na ação penal que apurou a chamada trama golpista. A Corte entendeu que houve tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e articulação para impedir a posse do presidente eleito.
A decisão foi considerada histórica por juristas e observadores internacionais, dada a gravidade das acusações e o ineditismo da condenação.
Destaque nos Estados Unidos e na Europa
Nos Estados Unidos, o The New York Times estampou a decisão em sua página principal, afirmando que a Suprema Corte brasileira concluiu que o ex-presidente tentou se manter no poder após a derrota eleitoral, incluindo um plano para assassinar o adversário político.
O The Washington Post também deu amplo destaque ao julgamento, ressaltando que o STF considerou comprovada a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 por meios violentos.
Na Europa, o britânico The Guardian classificou Bolsonaro como um ex-presidente de extrema-direita condenado por planejar um golpe militar, enquanto o francês Le Monde destacou a condenação por liderar uma organização criminosa com o objetivo de instaurar um governo autoritário.
Repercussão na América Latina e no Oriente Médio
Na Espanha, o jornal El País afirmou que o Brasil deu um “passo transcendental contra a impunidade”, ao condenar um ex-presidente por conspiração golpista.
Na Argentina, o diário Clarín informou que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, ressaltando o impacto político da decisão no cenário regional.
Já no Oriente Médio, a emissora Al Jazeera destacou o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia, que apontou a existência de provas robustas de que o ex-presidente atuou para corroer a democracia e as instituições brasileiras.





