Evento reuniu especialistas e representantes do governo para discutir o papel da comunicação no combate à misoginia e à violência contra as mulheres

Por Karol Peralta
O papel da comunicação pública qualificada no enfrentamento à misoginia e ao feminicídio esteve no centro dos debates da oitava edição do Conexões SICOM – A transformação começa aqui, realizada nesta terça-feira (3). O encontro reuniu autoridades, especialistas e profissionais do Sistema de Comunicação do Governo Federal (SICOM) para discutir o tema Brasil Contra o Feminicídio e os desafios de ampliar o acesso à informação e às políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
A necessidade de fortalecer a comunicação como ferramenta estratégica no enfrentamento à violência contra as mulheres foi um dos pontos centrais do encontro. Durante o evento, representantes de diferentes áreas destacaram que a forma como a informação é transmitida impacta diretamente a conscientização da sociedade e o acesso das mulheres às políticas públicas.
Presente no debate, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que a política voltada às mulheres atravessa todos os ministérios e depende de uma comunicação eficiente para alcançar resultados concretos. Segundo ela, a comunicação exerce papel fundamental ao tornar visíveis as ações do Estado e ampliar o debate público sobre o tema.
Ao abordar o impacto social das políticas de proteção, a ministra destacou que iniciativas voltadas às mulheres refletem diretamente no bem-estar de crianças, jovens e de toda a sociedade, reforçando o caráter estrutural do enfrentamento à violência de gênero.
Boas práticas e acesso à informação
A equipe de comunicação do Ministério das Mulheres apresentou exemplos de boas práticas de comunicação pública, ressaltando a importância do uso de fontes confiáveis, dados oficiais e da atenção às realidades regionais, raciais e geracionais na elaboração das mensagens.
A coordenadora do programa Antes que Aconteça, do Ministério da Justiça, Carol Cassiano, destacou que uma comunicação eficaz não se limita à divulgação de ações governamentais, mas deve orientar a população sobre como acessar políticas públicas, fortalecendo a confiança das mulheres nos serviços disponíveis.
Racismo estrutural e desigualdades
Outro ponto levantado no debate foi o impacto do racismo estrutural na cobertura e na percepção social dos casos de feminicídio. A diretora de Políticas de Ações Afirmativas do Ministério da Igualdade Racial, Lena Garcia, ressaltou que a forma como a violência contra mulheres negras e brancas é noticiada produz efeitos distintos na sociedade.
Segundo ela, compreender as especificidades de classe, gênero, raça e etnia é essencial para uma comunicação mais justa e responsável, capaz de refletir a diversidade da população brasileira.
Responsabilidade coletiva e diálogo
O papel dos homens no enfrentamento à violência também foi abordado. A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, destacou que o combate ao feminicídio exige diálogo direto com os homens e o reconhecimento da responsabilidade coletiva diante do problema.
Para participantes do evento, como o publicitário Luiz Gustavo Pinheiro, o debate reforçou a importância do engajamento social. Ele destacou que a disseminação de informações corretas pode criar uma rede de conscientização capaz de ampliar o alcance da mensagem e estimular mudanças culturais.
Mudança cultural e frentes estratégicas
A diretora de Planejamento da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Patrícia de Almeida, afirmou que o combate à violência contra a mulher passa por uma mudança cultural profunda e pela articulação entre governo, sociedade civil e setor privado.
Já a assessora especial da Secretaria de Relações Institucionais, Maria Helena Guarezi, apontou três frentes consideradas estratégicas no enfrentamento ao feminicídio: o acompanhamento das medidas protetivas, o fortalecimento da rede de acolhimento, especialmente em áreas rurais e comunidades tradicionais, e a comunicação eficiente como ferramenta de mobilização social.
Formação continuada
O Conexões SICOM é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, que busca promover formação continuada e troca de experiências entre profissionais de comunicação do Executivo Federal. Edições anteriores abordaram temas como linguagem simples, combate à desinformação, planejamento de comunicação e comunicação antirracista.





