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Ciúme extremo e violência reacendem debate sobre saúde mental e relações abusivas

Especialistas alertam que o ciúme patológico pode distorcer a realidade e levar a comportamentos perigosos

Por Karol Peralta

O ciúme é uma das emoções mais conhecidas e também mais romantizadas nas relações afetivas. Embora possa surgir como uma reação emocional pontual, o sentimento se torna um risco quando ultrapassa limites saudáveis e passa a ser marcado por desconfianças constantes, convicções sem provas e interpretações distorcidas da realidade. Um caso recente, que ganhou repercussão nesta semana, reacendeu o debate sobre os limites entre emoção, adoecimento psíquico e violência.


A tragédia registrada recentemente, envolvendo um conflito motivado por suspeitas infundadas de relacionamento, trouxe à tona discussões sobre o impacto do ciúme excessivo na saúde mental. O episódio, que terminou com mortes, levantou questionamentos sobre como emoções mal elaboradas podem evoluir para comportamentos extremos.

Para o psiquiatra Eduardo Araujo, especialista em Saúde Mental, casos assim não devem ser tratados apenas como crimes classificados de forma simplista, mas analisados sob uma perspectiva psicológica mais ampla.

“Esse tipo de situação expõe o sentimento de posse que ainda permeia muitas relações. O ciúme em excesso altera emoções, percepções e pode distorcer completamente a leitura da realidade, levando a conclusões que não têm base em fatos”, explica.

Segundo o especialista, episódios desse tipo também evidenciam um transtorno ainda pouco conhecido pela população: a Síndrome de Otelo, também chamada de ciúme delirante.

“Trata-se de um quadro em que a pessoa tem convicção absoluta de que está sendo traída, mesmo sem qualquer indício. Essa certeza delirante pode levar a comportamentos de vigilância constante, perseguição e, em situações extremas, à violência”, afirma.


Quando o ciúme passa do limite?

Identificar quando o ciúme deixa de ser uma insegurança emocional e passa a configurar um comportamento patológico é fundamental para prevenir desfechos graves. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Investigação constante: monitorar celular, redes sociais, e-mails ou movimentações do parceiro;
  • Necessidade de controle: impor restrições sobre roupas, amizades, família ou locais frequentados;
  • Percepção delirante: acreditar firmemente em infidelidades inexistentes, ignorando explicações e fatos;
  • Instabilidade emocional: crises frequentes de raiva, acusações infundadas e comportamentos agressivos;
  • Dependência emocional: perda da autonomia e da própria identidade, com a vida girando em torno do outro.

De acordo com o psiquiatra, o ciúme em excesso pode ser considerado um adoecimento psíquico e exige acompanhamento profissional.

“O tratamento envolve psicoterapia para ressignificar crenças distorcidas e, quando necessário, uso de medicação para controlar impulsividade, ansiedade e pensamentos obsessivos”, destaca.

A Terapia Cognitivo-Comportamental é apontada como uma das abordagens mais eficazes, pois auxilia o paciente a identificar gatilhos emocionais, questionar pensamentos irracionais e modificar padrões de comportamento. Em quadros mais graves, o acompanhamento médico contínuo é indispensável.

Para especialistas, tragédias como essa reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental, especialmente entre homens, onde o sofrimento emocional ainda é frequentemente silenciado até atingir níveis críticos.

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