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Carnaval gera até R$ 7,59 a cada R$ 1 investido e supera indústria automobilística, aponta economista Mariana Mazzucato

Estudo citado por Mariana Mazzucato revela que investimento em cultura e artes tem maior impacto econômico que setores tradicionais e reforça força da economia criativa no Brasil

Da Redação

O investimento em cultura e artes, incluindo o Carnaval brasileiro, pode gerar mais retorno econômico do que setores tradicionais da indústria, como o automobilístico. Segundo estudos citados pela economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, cada R$ 1 aplicado na cultura pode render até R$ 7,59 para a sociedade, enquanto o mesmo valor investido na produção de automóveis e caminhões gera R$ 3,76.


Cultura supera indústria tradicional em retorno econômico

Em entrevista à Agência Brasil durante visita ao país, onde pesquisa a economia criativa do Carnaval, Mariana Mazzucato afirmou que o investimento público em artes e cultura tem um impacto econômico superior ao de grande parte da indústria manufatureira tradicional.

Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial mostram que o multiplicador econômico da economia da cultura quase dobra o resultado obtido pelo setor automotivo.

Apesar das evidências, Mazzucato destaca que governos ainda priorizam setores industriais tradicionais, mesmo com dados que demonstram o potencial da economia criativa no Brasil.

Carnaval movimenta bilhões e fortalece comunidades

Além do impacto financeiro — estimado em mais de US$ 2 bilhões em receita — o Carnaval brasileiro é apontado como um motor social. A festa movimenta cadeias produtivas que vão da música e confecção de fantasias à hotelaria e ao turismo.

Para a economista, no entanto, o impacto vai além do consumo.

Ela destaca que escolas de samba e blocos funcionam como espaços de formação de habilidades, fortalecimento de redes comunitárias, geração de autoestima e valorização cultural, especialmente em comunidades vulneráveis.

Segundo Mazzucato, investir na cultura como política pública também contribui para a redução da criminalidade, ao ampliar oportunidades e fortalecer o senso de pertencimento.

Economia criativa como estratégia de desenvolvimento

A economista, autora do livro O Estado Empreendedor, lidera uma pesquisa da University College London (UCL), em parceria com a Unesco, para analisar o papel das artes no desenvolvimento econômico.

Durante passagem por Brasília, ela defendeu que o Carnaval pode se tornar uma plataforma estruturante para ampliar a economia criativa brasileira, baseada em capital intelectual, cultural e inovação.

Mazzucato também questiona a narrativa de que não há recursos para investir em cultura, argumentando que decisões orçamentárias refletem prioridades políticas.

Para ela, a discussão não deve ser se o Estado deve investir em cultura, mas como deve investir e quais métricas utilizar para medir resultados econômicos e sociais.

Desafios: comercialização e concentração de renda

Embora reconheça o potencial econômico do Carnaval, Mazzucato alerta para riscos de concentração de renda e excessiva comercialização da festa.

Ela questiona se os recursos gerados — incluindo patrocínios — estão sendo reinvestidos nas comunidades que sustentam a base criativa do evento.

Para a economista, o desafio está em alinhar investimentos públicos e privados a objetivos sociais mais amplos, garantindo que a riqueza gerada pela indústria cultural brasileira beneficie o ecossistema criativo como um todo.

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