Primeiro lote entregue ao Ministério da Saúde marca avanço na redução da dependência externa e na ampliação do acesso ao tratamento de diabetes no país

Por Karol Peralta
O Governo do Brasil recebeu 2,1 milhões de unidades de insulina glargina para reforçar o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e avançar na estratégia de produção nacional de medicamentos, reduzindo a dependência do mercado externo e ampliando a oferta para pacientes com diabetes tipo 1 e 2.
A chegada do primeiro lote de insulina glargina, entregue na segunda-feira (17), representa um passo importante na política de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Até o fim do ano, mais 4,7 milhões de unidades devem ser recebidas, ampliando a distribuição em todo o país.
O medicamento foi adquirido por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), modelo que promove transferência de tecnologia para laboratórios públicos. Com o acordo, a insulina passará a ser produzida no Brasil pelo laboratório Bio-Manguinhos/Fiocruz, em parceria com a empresa nacional de biotecnologia Biomm, a partir da tecnologia original da farmacêutica chinesa Gan&Lee.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o avanço reforça a soberania sanitária e amplia o acesso ao tratamento. Para 2025, o investimento federal na aquisição da insulina glargina é de R$ 131,8 milhões.
Produção nacional do IFA será inédita na América Latina
Além da fabricação do medicamento, a PDP prevê a produção brasileira do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) — etapa inédita na América Latina. A produção ocorrerá na unidade da Fiocruz no Ceará, referência em desenvolvimento de vacinas e biofármacos.
O investimento destinado à autonomia produtiva será de R$ 510 milhões por meio do Novo PAC. Quando o processo estiver completo, o país dominará todas as etapas da fabricação da insulina, garantindo mais estabilidade no fornecimento e impulsionando a tecnologia nacional.
Mario Moreira, presidente da Fiocruz, destacou que a entrega marca um avanço relevante para o sistema público de saúde, com impacto direto no acesso de milhões de brasileiros.
Meta é produzir 70 milhões de unidades por ano
A transferência de tecnologia entre a Gan&Lee e a Biomm começou após a primeira compra da insulina glargina realizada em outubro. A previsão é que a produção nacional chegue a 70 milhões de unidades por ano, incluindo todas as etapas, como embalagem, controle de qualidade e fabricação final.
Produção de outros tipos de insulina também avança
Além da glargina, o Brasil firmou parceria para produzir insulinas NPH e Regular, em frascos e tubetes, por meio de acordo entre a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Funed e a Biomm. A transferência de tecnologia já começou, com mais de 710 mil unidades entregues. A expectativa é alcançar 8 milhões de unidades até 2026, com R$ 142 milhões em investimentos federais.
SUS mantém tratamento integral para pessoas com diabetes
O SUS oferece atendimento contínuo a pacientes com diabetes, incluindo diagnóstico, monitoramento e acesso a medicamentos. A rede pública disponibiliza quatro tipos de insulina: NPH, Regular, e as versões análogas de ação rápida e prolongada, além de terapias orais conforme cada caso clínico.





