Acordos assinados durante missão de Lula preveem produção nacional de bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte com transferência de tecnologia

Da Redação
Durante missão oficial à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a assinatura de três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) destinadas à fabricação no Brasil de medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Os acordos preveem a produção nacional do bevacizumabe, do eculizumabe e do aflibercepte, com transferência de tecnologia e internalização da fabricação. O investimento estimado pelo Ministério da Saúde é de até R$ 1,104 bilhão no primeiro ano.
A medida busca ampliar a capacidade produtiva nacional, reduzir a dependência do mercado internacional e diminuir o risco de desabastecimento de terapias de alto custo.
Produção nacional e transferência de tecnologia
As PDPs foram assinadas durante o Encontro Empresarial Brasil–Coreia do Sul. O aflibercepte, indicado para degeneração macular relacionada à idade, terá produção nacional com participação da Fundação Ezequiel Dias (Funed), da empresa brasileira Bionovis S.A. e da sul-coreana Samsung Bioepis Co., Ltda..
Já o bevacizumabe, utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer e em doenças oftalmológicas, será produzido por meio de parceria entre a Fundação Baiana de Pesquisa, Desenvolvimento, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), Bionovis e Samsung Bioepis.
O eculizumabe, indicado para tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), também será fabricado no país por meio de cooperação entre Bahiafarma, Bionovis e a empresa coreana.
Segundo o governo, a estratégia fortalece a base industrial da saúde, estimula inovação e amplia o acesso da população a medicamentos de alto custo.
Cooperação ampliada em saúde digital e inovação
Durante a visita, foi firmado ainda um Memorando de Entendimento entre os ministérios da Saúde dos dois países, prevendo cooperação em inovação biomédica, saúde digital, terapias avançadas e fortalecimento dos sistemas de saúde.
A agenda bilateral inclui intercâmbio técnico e desenvolvimento de hospitais inteligentes, área na qual a Coreia do Sul é considerada referência internacional. O Brasil, por sua vez, busca acelerar a transformação digital do SUS.
G20 e coalizão global em saúde
No contexto da presidência brasileira do G20 em 2025, foi criada a Coalizão para Produção, Inovação e Acesso a Tecnologias em Saúde, com proposta de governança apresentada à Organização Mundial da Saúde (OMS). A iniciativa pretende fortalecer parcerias internacionais e ampliar a capacidade de resposta global a emergências sanitárias.
O Brasil convidou formalmente a Coreia do Sul a integrar o Comitê Diretor da coalizão antes do encontro previsto para março, no Rio de Janeiro.
Parcerias com Fiocruz e empresas coreanas
Também foram assinados acordos envolvendo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e empresas sul-coreanas como Optolane Technologies, GenBody e Green Cross Corporation.
As parcerias abrangem diagnóstico molecular, testes rápidos para doenças como dengue, HIV, sífilis, malária e tuberculose, além de tecnologias Point of Care (POC). Parte dos produtos já está em fase de registro na Anvisa.
Resiliência climática e fortalecimento do SUS
Outro eixo estratégico da cooperação envolve a adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas. Na COP30, o Brasil lançou o programa AdaptaSUS, voltado à construção de estruturas mais resilientes diante de eventos extremos.
Segundo o Ministério da Saúde, o conjunto de acordos amplia a autonomia produtiva do país, reduz vulnerabilidades do SUS e pode gerar empregos e desenvolvimento tecnológico no Brasil.





