Dados divulgados pelo INCA no Dia Mundial do Câncer mostram crescimento da incidência da doença e destacam ações do SUS para ampliar exames, tratamentos e prevenção em todo o país.

Por Bebel Marinho
O Brasil deverá enfrentar um avanço expressivo dos casos de câncer nos próximos anos. Entre 2026 e 2028, a estimativa é de cerca de 781 mil novos casos da doença por ano, o que reforça o desafio para o sistema público de saúde e amplia a importância das políticas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento pelo SUS.A projeção faz parte da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro. Segundo o levantamento, ao excluir os tumores de pele não melanoma, o país deverá registrar aproximadamente 518 mil novos casos anuais no período.
O estudo aponta que o crescimento da doença está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, além de fatores como hábitos de vida, exposição a riscos ambientais e desigualdades no acesso à prevenção. Atualmente, o câncer já figura entre as principais causas de adoecimento e morte no Brasil.
Diante desse cenário, o Governo Federal lançou em 2025 o programa Agora Tem Especialistas, que coloca a oncologia no centro das políticas públicas de saúde. A iniciativa busca fortalecer a prevenção do câncer, ampliar o diagnóstico precoce e garantir que o tratamento ocorra no tempo adequado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os tipos de câncer mais incidentes, o INCA destaca que, entre os homens, predominam os cânceres de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, os mais frequentes são os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O câncer de pele não melanoma segue como o mais comum em ambos os sexos, embora apresente baixa letalidade.
A ampliação do acesso à mamografia pelo SUS é uma das principais estratégias recentes. O exame passou a ser disponibilizado também para mulheres entre 40 e 49 anos, mesmo sem sintomas, além da ampliação da faixa etária até os 74 anos. Somente em 2025, cerca de 3 milhões de mamografias foram realizadas na rede pública, contribuindo para o aumento das chances de cura.
Outro avanço importante foi a incorporação de um medicamento inédito para câncer de mama HER2 positivo, capaz de reduzir em até 50% a mortalidade. O tratamento passou a integrar o SUS com investimento superior a R$ 159 milhões, ampliando o acesso a terapias de alta complexidade.
Para alcançar regiões com menor oferta de serviços, 33 carretas de saúde da mulher percorreram municípios brasileiros, ofertando exames como mamografia, ultrassonografia e biópsias. Além disso, o SUS registrou em 2025 um recorde histórico de quase 7 milhões de procedimentos de quimioterapia, crescimento de cerca de 80% em relação a 2022.
Na área de radioterapia, novos aceleradores lineares entraram em funcionamento, incluindo o primeiro equipamento no Amapá. Para 2026, está prevista a aquisição de mais 131 aparelhos, ampliando a capacidade de atendimento. Uma nova política de financiamento também passou a repassar mais recursos conforme o número de pacientes atendidos, além da criação de auxílio para transporte, alimentação e hospedagem.
A prevenção segue como pilar fundamental. O SUS ampliou o uso do teste molecular DNA-HPV para rastreamento do câncer do colo do útero e mantém a vacinação contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Dados preliminares indicam que a cobertura vacinal já alcança 85% entre meninas e 73% entre meninos, aproximando o país da meta da OMS.
Somando-se a essas ações, a Estratégia Viva Mais Brasil foi lançada com foco na promoção da saúde, incentivo à atividade física, alimentação saudável, redução do tabagismo e do consumo de álcool, além do fortalecimento da vacinação, reforçando o enfrentamento ao câncer de forma integrada.





