Prorrogação da votação gera confusão e deixa eleitores sem votar no segundo turno

Decisão do STF ampliou o horário até as 19h, mas fechamento antecipado de urnas e demora na comunicação provocaram frustração em diferentes cidades brasileiras.

Da Redação

A prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições de 2026, realizada no domingo (25), provocou confusão e frustração entre eleitores que tentaram votar após as 17h. Apesar da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para ampliar o funcionamento das seções até as 19h, diversos locais já haviam encerrado as atividades quando a decisão foi comunicada.

A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin após relatos de restrições ao transporte coletivo em diferentes cidades do país, apresentados em uma ação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entretanto, a decisão enfrentou dificuldades de aplicação. Diante do fechamento de urnas em várias regiões, o STF esclareceu que a extensão do horário valeria exclusivamente para as seções que ainda permaneciam em funcionamento. A orientação também foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Eleitores encontram portões fechados

No Rio de Janeiro, pelo menos sete pessoas chegaram ao Colégio Pensi, no bairro do Flamengo, após as 17h e não conseguiram votar. Os eleitores receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto, documento que registra a tentativa de participação na eleição.

Entre os casos relatados à Agência Brasil está o da contadora Manuela Tunas, que viajou do Uruguai para exercer seu direito ao voto. Um atraso no voo comprometeu sua chegada, e a expectativa criada pela prorrogação não se confirmou.

A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo também tentou aproveitar o horário adicional, mas encontrou a unidade fechada. Já a aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, lamentou não conseguir participar do segundo turno, mesmo após buscar orientações em diferentes locais.

Mesários relatam demora na comunicação

A falta de informações também atingiu profissionais responsáveis pela organização da votação.

Em Brasília, a presidente de seção eleitoral Bruna Lourenço relatou que os procedimentos de encerramento já haviam sido realizados quando tomou conhecimento da decisão judicial.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), as urnas foram fechadas às 17h, antes que a comunicação sobre a ampliação do horário chegasse às equipes responsáveis.

O episódio evidenciou um desencontro entre o anúncio da decisão e sua aplicação nas seções eleitorais.

Em São Paulo, horário ampliado teve pouca procura

Enquanto parte dos eleitores encontrou dificuldades para votar, algumas seções permaneceram abertas até as 19h.

Na capital paulista, o mesário voluntário Lucas Suassuna informou que a unidade em que trabalhava recebeu poucos eleitores durante o período adicional. Segundo seu relato, aproximadamente três ou quatro pessoas compareceram após a prorrogação.

Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino, que já havia votado pela manhã, visitou escolas para verificar como a determinação estava sendo cumprida. Ela encontrou locais fechados e eleitores que não conseguiram votar, apesar da divulgação do novo horário.

Decisão não reabriu seções encerradas

O TSE esclareceu que a ampliação do horário não autorizava a retomada da votação nas urnas cujo funcionamento já havia sido encerrado.

Na prática, a determinação beneficiou apenas os eleitores vinculados às seções que permaneceram abertas, enquanto aqueles que chegaram a locais já fechados não puderam registrar seus votos.

Os relatos demonstram as dificuldades de comunicação e execução de uma decisão tomada nos momentos finais da votação, além dos impactos enfrentados por eleitores que esperavam participar do processo eleitoral.

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