Doenças cardiovasculares matam uma pessoa a cada 72 segundos no Brasil; MS tem 3ª maior taxa

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta mais de 318 mil mortes estimadas em 2026. Mato Grosso do Sul registra 220,4 óbitos por 100 mil habitantes e está entre os estados com maiores índices do país.

Da Redação

Uma pessoa morre a cada 72 segundos em decorrência de doenças cardiovasculares no Brasil. Até esta sexta-feira (16), o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontava 318.945 mortes estimadas em 2026, o equivalente a aproximadamente 50 óbitos por hora. O levantamento também coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com as maiores taxas de mortalidade cardiovascular do país.

Os números fazem parte do novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma desenvolvida pela SBC em parceria com a World Heart Federation (WHF), que reúne informações sobre a evolução das doenças do coração e do sistema circulatório no Brasil.

De acordo com os dados apresentados, Mato Grosso do Sul registra 220,4 mortes por 100 mil habitantes, a terceira maior taxa entre os estados brasileiros. O estado aparece atrás de Alagoas, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes, e do Amapá, com 225,1.

Os indicadores evidenciam a dimensão do problema de saúde pública e reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.

Mortes podem aumentar 10,8% até 2030

Além de apresentar dados históricos, a plataforma reúne projeções para os próximos anos. Caso a tendência observada nas últimas duas décadas seja mantida, o Brasil poderá registrar um crescimento de 10,8% no número anual de mortes por doenças cardiovasculares até 2030.

A estimativa é que o total passe de 417.550 óbitos registrados em 2024 para 462.573 em 2030.

O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma, explica que os números representam cenários projetados e não uma previsão definitiva.

Segundo o especialista, mudanças nos fatores de risco, a ampliação do atendimento médico e a implementação de políticas públicas de prevenção podem alterar essa trajetória.

Apesar da perspectiva de crescimento no número absoluto de mortes, o Brasil apresentou avanços nas últimas décadas. A taxa de mortalidade cardiovascular caiu de 306,4 óbitos por 100 mil habitantes, em 2000, para 195 em 2024, uma redução de aproximadamente 36%.

Hipertensão, diabetes e obesidade estão entre os fatores de risco

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares estão a pressão alta, o diabetes, o tabagismo, a obesidade, o sedentarismo e alterações nos níveis de colesterol.

Essas condições aumentam o risco de complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente quando não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que medidas de prevenção podem contribuir para reduzir a mortalidade, como o acompanhamento regular da pressão arterial, o controle da glicemia, a prática de atividades físicas, a alimentação equilibrada e a interrupção do tabagismo.

O atendimento rápido em casos suspeitos de infarto e AVC também é fundamental para ampliar as chances de sobrevivência e diminuir o risco de sequelas.

Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior mortalidade

O resultado de Mato Grosso do Sul chama atenção por superar a taxa nacional apresentada para 2024, de 195 mortes por 100 mil habitantes.

No painel divulgado pela SBC, o estado ocupa a terceira posição entre as unidades da federação, o que evidencia a importância de acompanhar os indicadores regionais e fortalecer as estratégias de prevenção.

A comparação entre os estados permite identificar diferenças na mortalidade cardiovascular e contribuir para o planejamento de ações de saúde pública conforme a realidade de cada região.

Nova plataforma reúne dados de todo o Brasil

O Hub de Doenças Cardiovasculares foi apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia.

A ferramenta reúne dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease (GBD).

Também disponibiliza séries históricas de 2000 a 2024, projeções futuras e indicadores organizados por estado, sexo e faixa etária.

As informações podem ser consultadas por pesquisadores, profissionais da saúde, gestores públicos e pela população, permitindo acompanhar a evolução das doenças cardiovasculares e identificar diferenças regionais.

O levantamento mostra que, apesar da redução das taxas de mortalidade ao longo dos anos, as doenças cardiovasculares continuam representando um dos principais desafios da saúde pública brasileira.

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