Organização criminosa é suspeita de fraudar licitações, pagar propina e condicionar exames e leitos hospitalares à compra de materiais impressos por órgãos públicos.

Da Redação
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira (7), a Operação Gutenberg para desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar mais de R$ 27 milhões em recursos públicos em Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
Entre os presos estão o chefe da Central Estadual de Regulação, Ed Carlo Britto Burgatt, e sua filha, a empresária Jéssyca Burgatt, sócia da empresa Capital Saúde, sediada em Campo Grande.
Segundo o advogado Mário Afonso Teixeira, que representa ambos, os dois permanecem presos preventivamente. Após a prisão, Jéssyca Burgatt foi encaminhada à 2ª Delegacia de Polícia Civil, onde a defesa informou que buscaria acesso aos autos para conhecer o teor das acusações.
Regulação da saúde teria sido usada para favorecer esquema
Conforme as investigações, a organização criminosa utilizava a estrutura da Central Estadual de Regulação como um verdadeiro “balcão de negócios”. De acordo com o Gaeco, a autorização para exames especializados, procedimentos médicos e internações hospitalares era utilizada como instrumento de pressão para que gestores municipais adquirissem livros comercializados por empresas ligadas ao grupo investigado.
Os investigadores apontam que a liberação dos serviços de saúde funcionava como uma “moeda de troca”, permitindo que contratos públicos fossem direcionados às empresas envolvidas no esquema.
Empresárias ligadas a gráficas também foram presas
Entre os alvos da operação também estão a dentista Rossana Paroschi Jafar e sua filha, Olívia Paroschi Jafar.
Rossana figura como sócia das empresas Gráfica Jafar Ltda., Fox Gráfica Ltda. e Gráfica e Editora Alvorada Ltda., enquanto também é fundadora da Clínica Ross, da qual Olívia é uma das sócias.
O advogado Pedro Grubert confirmou a prisão preventiva das duas. Procurada pela imprensa, uma das sócias da clínica encerrou a ligação após a identificação da equipe de reportagem.
Outro alvo da Operação Gutenberg é o ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, cujo nome já havia sido confirmado entre os investigados.
Operação mobilizou equipes em três estados
Além de Campo Grande, os mandados foram cumpridos em Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Durante a operação, equipes do Gaeco realizaram buscas no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, onde foram apreendidos documentos e malotes que poderão subsidiar as investigações.
Também foram apreendidos mais de R$ 70 mil em dinheiro.
Investigação apura fraude em licitações e corrupção
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa é investigada pelos crimes de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e associação criminosa.
O grupo teria atuação concentrada em Campo Grande, mas com ramificações em diversos municípios de Mato Grosso do Sul.
Origem do nome da operação
O nome Operação Gutenberg faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Conforme o Gaeco, a denominação faz alusão ao fato de que os livros teriam sido utilizados como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado.



