China deverá comprar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA, mas Brasil pode ampliar competitividade, aponta consultoria

Acordo comercial entre China e Estados Unidos prevê compras concentradas no fim de 2026 e início de 2027; mercado projeta maior disputa pelas exportações brasileiras

Da Redação

A China deverá importar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos em cumprimento ao acordo comercial firmado entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, assinado em maio deste ano. A avaliação é da consultoria StoneX, que projeta a concentração dessas compras entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.

Segundo a análise, o período coincide com a entrada da safra norte-americana no mercado, quando os preços da soja costumam ser mais competitivos. Ao mesmo tempo, Brasil e demais países da América do Sul atravessam a entressafra, reduzindo temporariamente a oferta do grão.

Apesar da expectativa de aumento das compras dos Estados Unidos, a StoneX avalia que, após esse período, a concorrência internacional deverá se intensificar, favorecendo a retomada da competitividade brasileira nas exportações.

Brasil deve disputar mercado com preços mais competitivos

Em relatório, a consultoria afirma que o Brasil deverá buscar a maximização das exportações por meio de preços mais competitivos, cenário que pode dificultar uma ampliação das vendas norte-americanas além do volume previsto no acordo bilateral.

A expectativa é de que o mercado internacional volte a ser marcado por uma forte disputa entre os principais exportadores de soja, especialmente após a entrada da nova safra sul-americana.

Economia chinesa preocupa mercado

Além do cenário comercial, a StoneX destaca que a desaceleração da economia chinesa pode influenciar a demanda por commodities agrícolas.

Entre os indicadores citados estão a retração de 0,6% nas vendas do varejo, queda de 16,1% nas vendas de veículos, redução de 8,7% no setor de móveis e recuo de 0,6% no segmento de alimentação, refletindo uma desaceleração do consumo interno.

De acordo com a consultoria, esses fatores indicam um ambiente econômico mais desafiador para a recuperação da demanda chinesa.

Redução do rebanho suíno afeta consumo de soja

Outro fator apontado no estudo é a redução do plantel de suínos na China, principal destino do farelo de soja utilizado na produção de ração animal.

Atualmente, o país possui cerca de 39 milhões de matrizes suínas, mas o governo chinês pretende reduzir esse número para 36,5 milhões, adequando a produção à demanda do mercado.

Além disso, problemas climáticos afetaram lavouras de trigo, que poderão ser destinadas à alimentação animal, reduzindo a necessidade de farelo de soja.

O relatório também menciona rumores de mercado sobre uma possível liberação de 17 milhões de toneladas de arroz estocado para utilização na fabricação de ração, o que poderá diminuir ainda mais a demanda pela oleaginosa.

Mercado acompanha impactos no comércio global

Especialistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para o mercado internacional da soja, diante da combinação entre o acordo comercial entre China e Estados Unidos, a recuperação da oferta sul-americana e o comportamento da demanda chinesa.

O cenário poderá influenciar diretamente os preços internacionais da commodity e o desempenho das exportações brasileiras ao longo de 2027.

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