Lula anuncia retomada da fábrica de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas com investimento de R$ 5 bilhões

Obra da UFN-III volta a avançar após dez anos paralisada, deve gerar cerca de 8 mil empregos e ampliar a produção nacional de ureia até 2029.

Da Redação

A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, marca um novo capítulo para a indústria brasileira de fertilizantes. O empreendimento da Petrobras, paralisado desde 2015, voltará a ser executado com investimento superior a R$ 5 bilhões por meio do Novo PAC e tem previsão de iniciar a operação comercial em 2029.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25), durante cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, autoridades estaduais e representantes da Petrobras. A expectativa é que a retomada da obra gere aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos, além de movimentar diversos segmentos da economia de Mato Grosso do Sul.

Durante o evento, Lula afirmou que ampliar a produção nacional de fertilizantes é estratégico para reduzir a dependência de importações e fortalecer a soberania do país. Segundo ele, o Brasil precisa ampliar sua capacidade produtiva em um setor considerado essencial para o agronegócio e para a segurança alimentar.

A unidade integra o plano de expansão da Petrobras na produção de fertilizantes nitrogenados e teve sua viabilidade técnica e econômica reavaliada antes da decisão de retomada. A iniciativa faz parte do Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.

Polo estratégico para o agronegócio

A localização da fábrica é considerada um dos principais diferenciais do projeto. O Centro-Oeste concentra cerca de 40% da demanda nacional por ureia, utilizada principalmente nas culturas de milho, soja, cana-de-açúcar, algodão e na formação de pastagens.

Com a operação da unidade, a expectativa é reduzir custos logísticos e aumentar a oferta do insumo para produtores rurais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.

Produção atenderá parte da demanda nacional

Quando estiver em funcionamento, a UFN-III deverá produzir 3.600 toneladas de ureia granulada por dia e 2.200 toneladas diárias de amônia, alcançando uma produção anual próxima de 1,3 milhão de toneladas de ureia.

Esse volume representa aproximadamente 16% da demanda brasileira pelo fertilizante.

Segundo a Petrobras, a UFN-III integra uma estratégia nacional para ampliar a produção interna de fertilizantes. Com a operação das quatro unidades previstas no Novo PAC — UFN-III, Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA —, a estatal projeta abastecer cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029.

Empregos e impacto regional

Além da geração de empregos durante a construção, a retomada do empreendimento deve impulsionar a economia regional por meio da contratação de fornecedores e do aumento da demanda por serviços de transporte, hospedagem, alimentação e comércio.

Três Lagoas, que já possui um dos maiores polos industriais do Centro-Oeste, tende a ampliar sua participação na cadeia da indústria química e de fertilizantes com a conclusão da planta.

Dependência externa

A retomada da fábrica ocorre em um cenário de busca por maior autonomia nacional na produção de fertilizantes.

Nos últimos anos, o Brasil tornou-se altamente dependente das importações do insumo, situação que ganhou destaque durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando problemas na cadeia internacional provocaram aumento dos preços e dificuldades de abastecimento.

Segundo o governo federal, ampliar a produção nacional busca reduzir essa vulnerabilidade, fortalecer o agronegócio e garantir maior estabilidade no fornecimento de fertilizantes ao mercado brasileiro.


Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

11 + 19 =

contato@mspantanalnews.com.br