Mercado eleva previsão da inflação e IPCA ultrapassa teto da meta para 2026

Pressão nos combustíveis e alimentos influencia alta das projeções econômicas; estimativa da inflação sobe pela 11ª semana consecutiva

Da Redação

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir e ultrapassou o limite da meta estabelecida pelo Banco Central para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 5,04%.

A alta representa a décima primeira elevação consecutiva nas projeções do mercado e ocorre em meio às pressões causadas pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, influenciados pelo cenário de tensão no Oriente Médio.

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o teto permitido é de 4,5%, percentual agora superado pela expectativa das instituições financeiras consultadas pelo Banco Central.

Apesar da projeção acima do limite da meta para este ano, o IPCA acumulado em 12 meses ainda permanece dentro da faixa estabelecida. Em abril, a inflação oficial fechou em 0,67%, pressionada principalmente pelos alimentos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O cenário inflacionário segue sendo acompanhado pelo Banco Central do Brasil, que utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta de controle da inflação. Atualmente, a taxa está em 14,5% ao ano.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva. Mesmo com o corte, os juros seguem em patamar elevado, refletindo o ambiente de cautela diante das incertezas econômicas internacionais.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas. Segundo o Banco Central, a guerra no Oriente Médio elevou os riscos inflacionários, principalmente por causa dos impactos nos preços do petróleo e da cadeia de alimentos.

A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 16 e 17 de junho, quando o mercado acompanhará possíveis sinais sobre a trajetória futura dos juros no país.

O Boletim Focus também trouxe revisão para o crescimento da economia brasileira. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,85% para 1,89%. Já para 2027, a projeção caiu de 1,77% para 1,7%.

Em relação ao câmbio, o mercado financeiro estima que o dólar encerre este ano cotado a R$ 5,17. Para o fim de 2027, a previsão é de R$ 5,26.

Especialistas avaliam que a combinação entre inflação elevada, juros altos e instabilidade internacional deve continuar influenciando o comportamento da economia brasileira nos próximos meses.

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