Organização Mundial da Saúde alerta para agravamento do surto na República Democrática do Congo, que já soma dezenas de mortes suspeitas e tensão nas áreas afetadas

Da Redação
A Organização Mundial da Saúde elevou o nível de risco do surto de ebola na República Democrática do Congo após o avanço acelerado da doença nas últimas semanas. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que classificou a situação como “muito alta” em nível nacional.
Até então, a OMS avaliava o risco do surto como alto dentro do país africano e nas regiões vizinhas, mantendo baixo o risco global. Com a atualização, o cenário passou a ser considerado mais grave dentro do território congolês devido ao aumento de casos suspeitos, mortes e dificuldades enfrentadas pelas equipes de saúde.
Segundo dados divulgados pela organização, 82 casos de ebola já foram confirmados oficialmente no país, além de sete mortes registradas. No entanto, a OMS admite que a dimensão real do surto pode ser maior.
De acordo com Tedros, existem atualmente cerca de 750 casos suspeitos e ao menos 177 mortes também tratadas como suspeitas pelas autoridades sanitárias locais.
“O surto está se espalhando rapidamente”, afirmou o diretor-geral durante pronunciamento.
Ataque a hospital preocupa autoridades
A situação se agravou após um incidente de segurança registrado na última quinta-feira (21) em um hospital localizado na província de Ituri, uma das regiões afetadas pelo avanço da doença.
Segundo a OMS, tendas e suprimentos médicos utilizados no atendimento a pacientes foram incendiados durante o ataque. O episódio aumentou a preocupação das autoridades internacionais sobre a capacidade de resposta ao surto em áreas marcadas por instabilidade e conflitos armados.
A entidade destacou que a construção de confiança com as comunidades locais será decisiva para conter a disseminação do vírus.
Doença tem alta taxa de mortalidade
O ebola é uma doença infecciosa grave causada por um vírus transmitido pelo contato direto com sangue, secreções corporais ou materiais contaminados. A enfermidade provoca febre intensa, fraqueza, dores musculares e, em casos graves, hemorragias internas e externas.
A taxa de mortalidade varia conforme o tipo do vírus e a rapidez do tratamento, podendo ultrapassar 50% em alguns surtos.
A República Democrática do Congo já enfrentou outras epidemias de ebola nas últimas décadas, incluindo surtos considerados entre os maiores já registrados no continente africano.
Apesar do aumento do risco nacional e regional, a OMS mantém a avaliação de risco global como baixa, afirmando que, até o momento, não há indícios de disseminação internacional em larga escala.



