Urnas eletrônicas completam 30 anos sob avanço de fake news sobre eleições no Brasil

Pesquisa aponta que desinformação sobre funcionamento das urnas lidera conteúdos falsos compartilhados nos últimos ciclos eleitorais

Da Redação

As urnas eletrônicas completam 30 anos de utilização no Brasil nesta quarta-feira (13) em meio ao avanço de conteúdos falsos relacionados ao sistema eleitoral. Um levantamento do Projeto Confia, iniciativa ligada ao Pacto pela Democracia, aponta que mais de 45% das mensagens desinformativas compartilhadas nas últimas eleições tiveram como foco o funcionamento das urnas.

Segundo a pesquisa, os conteúdos falsos mais recorrentes envolvem alegações sobre supostas falhas técnicas durante a votação, teorias de manipulação de votos e mensagens que questionam a confiabilidade do processo eleitoral eletrônico.

Entre os exemplos identificados pelo estudo estão publicações que afirmavam existir atraso proposital no botão “confirma” ou que a urna eletrônica completaria automaticamente os números digitados pelos eleitores, informações já desmentidas em diferentes ocasiões pela Justiça Eleitoral.

A coordenadora do Projeto Confia, Helena Salvador, afirma que as narrativas exploram principalmente o desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.

Segundo ela, os conteúdos costumam utilizar elementos conhecidos do momento da votação para gerar dúvidas nos eleitores. “As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação”, afirmou.

O estudo analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024. Deste total, 716 mensagens passaram por análise qualitativa aprofundada. De acordo com o levantamento, 326 publicações continham ataques relacionados diretamente às urnas eletrônicas.

Além das mensagens sobre o sistema de votação, a pesquisa identificou conteúdos voltados contra o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, que representam 27,1% das publicações analisadas. Também aparecem teorias de fraude na apuração dos votos, com 21,8%, e desinformação sobre regras e logística eleitoral, com 15,4%.

Helena Salvador avalia que a distância entre o uso da urna e a compreensão do funcionamento da tecnologia favorece a circulação das fake news. Segundo ela, como o contato da população com o equipamento ocorre apenas durante os períodos eleitorais, muitos eleitores não conseguem verificar rapidamente se determinadas informações são falsas.

O objetivo do levantamento, segundo a coordenadora, é mapear as principais narrativas de desinformação e preparar estratégias de enfrentamento para as eleições de 2026.

Outra pesquisa, divulgada pela Quaest em fevereiro deste ano, aponta que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, levantamento do Datafolha divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral registrava índice de confiança de 82%.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, 53% disseram confiar no sistema eletrônico de votação. Já entre jovens de 16 a 34 anos, o índice chega a 57%. Na faixa entre 35 e 50 anos, metade dos entrevistados afirmou não confiar nas urnas eletrônicas.

O Pacto pela Democracia reúne mais de 200 organizações da sociedade civil e atua no monitoramento de ameaças ao Estado Democrático de Direito e no combate à desinformação eleitoral.

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