Operação do MPMS apreende R$ 429 mil e prende ex-secretário por suspeita de fraude em contratos de tapa-buracos

Investigação aponta supostos desvios milionários em contratos de manutenção viária em Campo Grande entre 2018 e 2025

Da Redação

A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), em Campo Grande, resultou na apreensão de aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo durante o cumprimento de mandados contra investigados por suspeita de fraudes e desvios em contratos de manutenção viária e tapa-buracos na Capital.

A ação é conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e investiga um suposto esquema de manipulação de medições de serviços para pagamento por obras que, segundo a apuração, não teriam sido executadas integralmente ou sequer realizadas.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão. Um dos alvos da operação foi a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

Entre os presos está Rudi Fiorese, atual diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) e ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande.

Segundo o MPMS, entre 2018 e 2025, a empresa investigada teria recebido mais de R$ 113,7 milhões em contratos e termos aditivos relacionados à manutenção de vias públicas.

Durante as buscas, os investigadores localizaram R$ 186 mil em espécie na residência de um servidor investigado. Em outro imóvel alvo da operação foram encontrados mais de R$ 233 mil em dinheiro vivo.

Além de Rudi Fiorese, também foram presos:

  • Edvaldo Aquino
  • Antonio Bittencourt
  • Mehdi Talayeh
  • Erick Antônio Valadão de Paula
  • Fernando de Souza Oliveira
  • Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa

Conforme o Ministério Público, o grupo é suspeito de atuar em um esquema que teria causado prejuízos aos cofres públicos, enriquecimento ilícito e impacto direto na qualidade da infraestrutura urbana da cidade.

Investigados já haviam sido alvo de outra operação

Parte dos investigados já havia sido citada anteriormente na Operação Cascalhos de Areia, realizada em 2023, que apurava suspeitas de desvios em contratos ligados à manutenção de vias não pavimentadas e locação de máquinas.

Entre os nomes que aparecem novamente nas investigações estão Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh, Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira.

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul informou que tomou conhecimento da operação e ressaltou que a investigação se refere ao período em que Rudi Fiorese atuava na administração municipal de Campo Grande. A pasta também afirmou que o diretor-presidente da Agesul será exonerado do cargo.

A Prefeitura de Campo Grande informou que os contratos investigados tiveram origem em 2017, durante gestão anterior. O MPMS, no entanto, afirma que as apurações envolvem contratos e aditivos firmados entre 2018 e 2025.

As defesas dos investigados informaram, em sua maioria, que ainda aguardam acesso aos autos para se manifestarem oficialmente sobre as acusações.

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