Marca aborda maternidade como ciclos de recomeço e amplia debate sobre sentimentos pouco explorados na data

Da Redação
O Boticário escolheu um caminho menos óbvio para o Dia das Mães de 2026. Em vez de reforçar apenas a presença e o cuidado, a campanha “Despedidas” coloca no centro da narrativa um sentimento muitas vezes silencioso: o das pequenas perdas que acompanham o crescimento dos filhos.
O ponto de partida é um tema que tem ganhado espaço nas redes sociais, o chamado “ninho vazio”. Dados de monitoramento da própria marca indicam que a maior parte das conversas sobre o assunto ainda carrega sentimentos de tristeza e solidão. A campanha, no entanto, tenta reposicionar esse olhar, tratando cada despedida como parte de um processo maior de transformação.
Desenvolvida pela AlmapBBDO, a peça principal utiliza a metáfora de uma viagem de trem para representar a passagem do tempo. A história acompanha uma mãe e seu filho desde a infância até a vida adulta, percorrendo momentos comuns e, ao mesmo tempo, decisivos da maternidade.
São cenas simples, mas carregadas de significado: o filho que começa a dormir sozinho, que já não cabe mais no colo, que passa a ter sua própria rotina, seus próprios afetos e, por fim, segue o próprio caminho. Não há ruptura brusca, mas uma sucessão de afastamentos sutis, quase imperceptíveis no dia a dia, que, quando somados, revelam a dimensão do tempo.
A trilha sonora, embalada por uma versão de “The Blower’s Daughter”, de Damien Rice, contribui para intensificar o tom da narrativa, que evita exageros e aposta na identificação.
A campanha chama atenção justamente por trazer à superfície um aspecto pouco explorado em datas comemorativas: a maternidade como um processo contínuo de deixar ir. Ao fugir do discurso idealizado, a narrativa se aproxima de experiências reais e amplia o espaço para reflexões mais complexas sobre o vínculo entre mães e filhos.
Para além da proposta publicitária, o filme provoca uma reação que ultrapassa o consumo. Do ponto de vista de quem acompanha essa trajetória de perto e aqui falo também como mãe, a campanha toca em algo difícil de nomear, mas fácil de sentir. Não é apenas sobre crescer ou criar, mas sobre perceber, em pequenos detalhes, que o tempo avança e que cada fase traz consigo uma despedida inevitável.
E talvez seja justamente aí que a campanha encontra sua força: ao reconhecer que a maternidade não é feita apenas de presença, mas também de ausências que ensinam, transformam e, de alguma forma, permanecem.



