Parceria entre Receita Federal e agência dos EUA amplia inteligência e mira crime organizado transnacional

Da Redação
O governo brasileiro formalizou, nesta sexta-feira (10), um acordo de cooperação com os Estados Unidos para reforçar o combate ao crime organizado transnacional, com foco na interceptação de armas e drogas. A iniciativa envolve a Receita Federal do Brasil e a U.S. Customs and Border Protection, agência de controle de fronteiras norte-americana.
Batizado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), o acordo prevê integração de inteligência e realização de operações conjuntas entre os dois países. A medida amplia o compartilhamento de informações em tempo real e busca antecipar a identificação de remessas ilícitas destinadas ao território brasileiro.
A formalização ocorre em meio ao fortalecimento do diálogo bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dentro de uma agenda mais ampla de cooperação internacional na área de segurança.
Entre os principais mecanismos previstos está o chamado “Remote Targeting”, que permite a análise remota de cargas ainda na origem. Com isso, dados e relatórios de inteligência passam a ser enviados diretamente às autoridades brasileiras, possibilitando ações antecipadas de fiscalização e repressão.
O compartilhamento dessas informações envolve integração direta com a Polícia Federal, ampliando a capacidade de resposta das autoridades no combate ao tráfico internacional.
Outro eixo do acordo é a implementação do Programa DESARMA, sistema da Receita Federal voltado ao rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. A ferramenta permite identificar origem, rota e responsáveis por cargas suspeitas, além de facilitar o envio de alertas entre os países sempre que houver apreensões relevantes.
O sistema também consolida dados como tipo de material, origem declarada, logística da carga e números de série, o que possibilita mapear redes criminosas e identificar padrões de atuação no comércio ilegal.
Nos últimos 12 meses, operações da aduana brasileira identificaram 35 ocorrências relacionadas ao envio ilegal de armas, com apreensão de mais de meia tonelada de peças e componentes, principalmente com origem na Flórida, nos Estados Unidos.
Além do tráfico de armas, o modelo de cooperação também tem impacto direto no enfrentamento ao tráfico de drogas. Dados recentes apontam aumento significativo nas apreensões em aeroportos brasileiros, com destaque para o terminal de Guarulhos, onde o volume saltou de 89 kg em 2024 para mais de 1,5 tonelada nos primeiros meses de 2026.
A cooperação integra um conjunto mais amplo de ações do governo brasileiro voltadas ao uso de inteligência, tecnologia e articulação internacional para reduzir a circulação de ilícitos e fortalecer a segurança nas fronteiras.



