Preso após morte de policial militar, homem acumula registros de homicídio, roubos, organização criminosa e violência doméstica

Da Redação
O pintor Gilberto Jarson, preso sob suspeita de matar a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, em Campo Grande, possui um histórico criminal marcado por episódios de violência que remontam à juventude e se estendem por diferentes tipos de crime ao longo dos anos.
O caso mais recente ocorreu nesta segunda-feira (6), quando a policial foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro da casa onde morava, no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva I. Ela estava fardada e havia retornado ao imóvel no horário de almoço.
De acordo com informações da investigação, o suspeito apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido. Inicialmente, afirmou que a vítima teria tentado tirar a própria vida com um revólver da corporação e que ele tentou impedir. Posteriormente, o relato mudou e passou a divergir também de testemunhas, que indicaram que ele foi encontrado com a arma em mãos.
Diante das inconsistências, Gilberto Jarson foi preso e encaminhado à delegacia. A saída do suspeito do local foi marcada por forte comoção de moradores, que reagiram com gritos durante a condução.
A delegada adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Analu Ferraz, afirmou que, apesar de não haver registros anteriores de violência envolvendo o casal, há elementos que indicam a possibilidade de feminicídio. O caso segue em investigação.
Histórico de violência
Registros apontam que o histórico criminal do suspeito teve início em 1994, quando, aos 18 anos, ele foi indiciado por homicídio. Na época, o crime teria sido motivado por ciúmes envolvendo uma ex-namorada.
Anos depois, a partir de 2008, o nome dele volta a aparecer em processos relacionados a roubos. Em um dos casos, ele e outros dois envolvidos foram acusados de invadir uma residência e manter vítimas em cárcere. Há ainda outros registros no mesmo período que indicam atuação em grupo, com participação em diferentes episódios de roubo com múltiplos comparsas.
Em 2009, o suspeito voltou a ser citado em novo caso de roubo e também respondeu por formação de quadrilha, atualmente tipificada como organização criminosa, ao lado de outros investigados.
Após um intervalo sem registros públicos de crimes patrimoniais, o histórico volta a aparecer em 2016, desta vez em ocorrências de violência doméstica e ameaça. Há ao menos quatro registros desse tipo.
Relatos obtidos pela reportagem indicam que mulheres que tiveram relacionamento com o suspeito demonstram receio em se manifestar publicamente. Mesmo sem se identificar, uma delas descreveu comportamentos recorrentes de agressividade, crises de ciúmes, ameaças e episódios de descontrole.
Investigação em andamento
A morte da subtenente reacende o debate sobre violência contra a mulher e a complexidade de casos que envolvem relações pessoais. A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias do crime, incluindo a dinâmica dos fatos e a possível motivação.
Até o momento, o caso é tratado como suspeita de feminicídio e aguarda a conclusão dos laudos periciais e demais diligências.






