Apresentação no Teatro Glauce Rocha reúne Camerata da UFMS, coro lírico e exposição inspirada na Semana Santa

Da Redação
Campo Grande recebe, na próxima segunda-feira (30), às 20h, um concerto que propõe mais do que uma apresentação musical: uma experiência sensorial que atravessa séculos, territórios e linguagens artísticas. Com entrada gratuita, o Teatro Glauce Rocha será palco de um encontro entre música sacra e artes visuais, reunindo a Camerata Madeiras Dedilhadas da UFMS, o Coro Lírico Cantarte, solistas convidados e o artista plástico português Santiago Belácqua.
A proposta integra tradição e contemporaneidade ao apresentar um repertório que percorre obras dos séculos XVI ao XIX, inspirado na Semana Santa. A execução musical dialoga diretamente com a exposição “Stabat Mater”, composta por cerca de cem telas de Belácqua, criando uma narrativa que combina som, imagem e espiritualidade.
O concerto é promovido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio institucional e parcerias que viabilizam a circulação do projeto e ampliam o acesso à música de concerto na Capital.
Entre tradição e identidade musical
Sob direção artística do professor Marcelo Fernandes, o repertório foi estruturado para evidenciar conexões históricas entre a produção musical portuguesa e o surgimento da música clássica no Brasil.
A seleção percorre desde o período em que Portugal exercia forte influência cultural, entre o Renascimento e o Barroco, até o desenvolvimento de uma identidade musical brasileira, especialmente em regiões como Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A proposta, segundo a organização, também busca evidenciar a força da tradição erudita no país — ainda pouco difundida, apesar de sua relevância histórica.
Narrativa sonora e visual
O programa segue, simbolicamente, a própria estrutura da Semana Santa, transitando entre momentos de celebração, dor e ressignificação.
A abertura traz “Dominica in Palmis”, de Lobo de Mesquita, seguida por obras de Padre José Maurício Nunes Garcia, referência na música brasileira. O repertório inclui ainda composições de autores portugueses como Francisco Martins, Duarte Lobo e Diego Melgás, além de nomes consagrados da música clássica europeia, como Bach, Mozart e Haendel.
Essa construção também se reflete nas obras visuais expostas, que propõem uma leitura menos sombria da temática religiosa, explorando luz, cor e humanidade.
Releituras e novas sonoridades
Um dos destaques do concerto é a adaptação do “Miserere”, de Padre José Maurício, feita especialmente para a formação da Camerata. A obra, originalmente composta para vozes e órgão, ganha nova leitura com a inclusão de violões, madeiras e solistas.
A proposta de recriação busca preservar a essência da composição original, ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades sonoras.
Acesso e circulação
Com duração aproximada de 35 minutos, a apresentação integra o projeto Catedral Erudita e deve circular também por igrejas de Campo Grande e outras cidades do estado.
No palco, além da Camerata Madeiras Dedilhadas da UFMS, participam solistas convidados, o Coro Lírico Cantarte e artistas locais, reforçando o caráter coletivo da produção.
Mais do que um espetáculo, o concerto se apresenta como um convite à escuta e à contemplação — e à redescoberta de uma tradição musical que segue presente, ainda que muitas vezes fora do centro das atenções.





