Por Viviane Uga
Nada extraordinário apenas o exercício de olhar o comum até que ele diga alguma coisa.

Gosto de política, moda, café e outras bobagens absolutamente indispensáveis. Desconfio, inclusive, que essa combinação diga mais sobre mim do que qualquer tentativa séria de apresentação, o que já poupa bastante trabalho.
Ainda assim, quando penso em escrever sobre mim, sou tomada por uma espécie de modéstia muito bem ensaiada. O que haveria para dizer sobre uma mulher mediana? Uma trabalhadora mediana, uma cientista social mediana, uma servidora pública mediana. Tenho 34 anos, sou uma boa mãe e, como hoje em dia ser uma boa mãe é quase o mínimo esperado, isso também não me salva de uma certa medianidade geral.
É confortável, ser mediana. Não exige grandes explicações nem grandes expectativas. O problema é que essa modéstia é falsa. Falsa e, no fundo, um pouco conveniente.
Porque toda pessoa que escreve carrega uma vaidade discreta, dessas que não fazem barulho, mas organizam a casa por dentro. Existe sempre a esperança de que aquilo que a gente escreve só se complete no olhar do outro. Como se o texto, sozinho, ainda fosse só uma intenção mal resolvida. E, se alguém lê e gosta, pronto, ele passa a existir de verdade. E mais importante, passa a ser bom. O que, convenhamos, ajuda bastante a sustentar a nossa versão favorita de nós mesmos.
Ninguém escreve por pura generosidade. Escreve-se por vaidade, mesmo quando ninguém lê. Há uma necessidade quase física de nomear o que se sente, de organizar o caos e, principalmente, de não deixar certas coisas morrerem anônimas dentro da gente. Publicar é só um detalhe técnico dessa inquietação.
Esta coluna, portanto, não promete nada de extraordinário, o que já me parece um posicionamento bastante honesto num mundo em que todo mundo promete ser inesquecível.
Mas eu gostaria que você estivesse aqui, todas as sextas-feiras, às sete da manhã, para observar comigo essas pequenas questões que parecem irrelevantes e, com algum esforço e uma dose bem calculada de exagero, extrair delas qualquer coisa que se pareça com profundidade humana.
Se não parecer, a gente chama de crônica e segue em frente.
Muito prazer,
eu sou a Viviane Uga.





