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Brasil coloca dengue no centro de coalizão global e amplia produção de vacinas e medicamentos

Iniciativa internacional liderada pelo G20 prioriza combate à doença e prevê avanços em vacinas, tecnologia e acesso à saúde

Da Redação

O combate à dengue passou a ocupar o centro das ações de uma nova coalizão internacional voltada à produção de medicamentos e tecnologias em saúde. O anúncio foi feito nesta terça-feira (24) pelo Ministério da Saúde, que posiciona a doença como prioridade global em um cenário de expansão impulsionada pelas mudanças climáticas.

A chamada Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo nasce a partir da presidência brasileira do G20 e reúne países como África do Sul, Alemanha, China, França e Reino Unido, além de blocos como a União Europeia e a União Africana. A proposta é ampliar o acesso a vacinas, terapias e diagnósticos, sobretudo em países em desenvolvimento.

A escolha da dengue como eixo inicial não é casual. Presente em mais de 100 países, a doença já expõe mais da metade da população mundial a risco, com estimativas que variam entre 100 milhões e 400 milhões de infecções por ano. O avanço, segundo o Ministério da Saúde, acompanha mudanças ambientais que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

Nesse contexto, o Brasil aposta em parcerias internacionais e no fortalecimento da produção local. Um dos exemplos é a vacina Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que deve ganhar escala a partir de acordo com uma empresa chinesa. A expectativa é atingir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ficará responsável pelo secretariado executivo da coalizão e deve coordenar projetos de cooperação com países da América Latina e da África, com foco na formação de capacidade científica e tecnológica local.

Produção nacional e autonomia

Paralelamente à articulação internacional, o governo também anunciou a produção 100% nacional do Tacrolimo, medicamento essencial para pacientes transplantados. Atualmente utilizado por cerca de 120 mil brasileiros, o remédio passará a ser fabricado no país após transferência de tecnologia realizada em parceria com a Índia.

A medida busca reduzir a dependência externa e garantir o fornecimento contínuo, mesmo em cenários de crise internacional.

Avanço em tecnologia de vacinas

Outro ponto estratégico é o investimento em vacinas de RNA mensageiro (mRNA), tecnologia que ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19. Um novo centro de pesquisa será implantado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), somando-se às iniciativas já existentes na Fiocruz e no Instituto Butantan.

Com isso, o Brasil passa a estruturar uma rede pública de produção dessa tecnologia, ampliando a capacidade de resposta a novas doenças e possíveis emergências sanitárias.

Ao concentrar esforços na dengue e fortalecer sua base produtiva, o país busca ampliar sua atuação no cenário global de saúde, com foco em acesso mais amplo, inovação e preparação para desafios futuros.

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