Crimes ocorreram em Anastácio e Paranhos; marido confessou assassinato de mulher dentro de casa e ex-marido foi preso após incêndio que matou vítima

Da Redação
Dois casos de feminicídio registrados no fim de semana em Mato Grosso do Sul elevaram para sete o número de mulheres assassinadas em 2026 no estado. Os crimes ocorreram entre sexta-feira (6) e domingo (8), nas cidades de Anastácio e Paranhos, e são investigados pela Polícia Civil.
Um dos casos ganhou repercussão após o relato público da filha da vítima, que decidiu compartilhar a história para que a morte da mãe não seja apenas mais um número nas estatísticas de violência contra mulheres.
Marido confessa assassinato e usou celular da vítima para enviar mensagens
Em Anastácio, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi assassinada dentro de casa na manhã de sexta-feira (6). O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que confessou o crime à polícia.
De acordo com a investigação, o homem afirmou ter matado a esposa por volta das 7h da manhã, mas permaneceu na residência durante todo o dia com o corpo da vítima.
Por volta das 8h30, uma mensagem foi enviada do celular de Leise para a filha, Leisiane Cruz Vieira, pelo aplicativo WhatsApp. A mensagem dizia: “Bom dia flor do dia”, forma carinhosa que a mãe costumava usar diariamente.
Sem saber do crime, a filha respondeu normalmente. Mais tarde, descobriria que naquele momento a mãe provavelmente já estava morta.
Somente à noite, por volta das 23h, o homem entrou em contato com familiares afirmando que a mulher estava passando mal e que havia acionado socorro. Em seguida, informou que a levaria ao hospital.
Já na madrugada, às 1h58, ligou para o genro da vítima informando que ela havia morrido.
A suspeita de homicídio surgiu após a análise inicial do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), que identificou sinais de asfixia no corpo. Diante das evidências, o homem acabou confessando o assassinato.
Relacionamento mudou ao longo dos anos
Segundo relato da filha, o relacionamento entre o casal começou sem sinais aparentes de violência. Eles se conheciam desde a época da escola e se reencontraram anos depois, iniciando uma relação há cerca de cinco anos.
Da união nasceu um menino, atualmente com três anos, que após a morte da mãe passou a ficar sob os cuidados dos avós.
De acordo com a filha, o comportamento do companheiro mudou após o início da convivência.
Ela relatou que o homem passou a demonstrar comportamento possessivo e controle financeiro sobre a vítima, impedindo que ela tivesse autonomia.
Ainda segundo o relato, Leise chegou a mencionar que pensava em denunciar o companheiro, mas demonstrava medo de fazê-lo.
Mulher morre em incêndio e ex-marido é preso em Paranhos
O segundo caso ocorreu na madrugada de domingo (8), Dia Internacional da Mulher, na cidade de Paranhos.
Ereni Benites, de 44 anos, morreu após um incêndio atingir a casa onde morava, localizada em uma aldeia indígena do município.
Segundo o registro policial, as autoridades foram acionadas para atender uma ocorrência de incêndio em residência, com a informação de que poderia haver uma vítima no local. Quando as equipes chegaram, a mulher já estava morta dentro do imóvel.
O caso passou a ser investigado como feminicídio, e o ex-marido da vítima, de 52 anos, foi preso em flagrante.
Suspeita surgiu após comportamento do ex-companheiro
Informações preliminares apontam que, antes do incêndio, Ereni estava em uma casa nas proximidades consumindo bebida alcoólica com outras pessoas. Em determinado momento, ela teria retornado para a própria residência.
Algum tempo depois, a casa foi atingida por um incêndio e a vítima morreu no interior do imóvel.
De acordo com o delegado Sidney Pinheiro, o comportamento do ex-marido levantou suspeitas durante a investigação.
Segundo a polícia, o homem estava no mesmo local onde a vítima participava de uma confraternização e demonstrava insatisfação com o fim do relacionamento, encerrado há cerca de quatro anos. Após a mulher deixar o local, ele também saiu e, cerca de vinte minutos depois, ocorreu o incêndio.
Relatos indicam que o suspeito teria comemorado o ocorrido, o que levou as autoridades a considerá-lo o principal investigado no caso.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e aguarda o resultado da perícia para esclarecer as circunstâncias do incêndio.
Número de feminicídios preocupa autoridades
Com os dois casos registrados no fim de semana, Mato Grosso do Sul chega a sete feminicídios em 2026, segundo dados das autoridades policiais.
Os casos seguem sob investigação da Polícia Civil.





