SEU ANÚNCIO AQUI E AGORA!

TODO ESSE ESPAÇO PODE SER SEU!

Mulheres são maioria na pós-graduação, mas ainda enfrentam barreiras para avançar na carreira científica

Mesmo representando 57% das pessoas tituladas, mulheres ocupam apenas 43% do corpo docente; desigualdade é maior nas áreas de STEM

Da Redação

O Brasil forma hoje mais mulheres cientistas do que homens. Elas representam 57% das pessoas tituladas na pós-graduação e também são maioria entre estudantes de mestrado e doutorado, segundo dados do Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG). Apesar do avanço, a presença feminina diminui quando o assunto é carreira acadêmica: apenas 43% do corpo docente da pós-graduação é composto por mulheres, evidenciando o chamado “efeito tesoura”.


Os números mostram um cenário de avanço na formação, mas de desigualdade na consolidação da carreira. Embora as mulheres sejam maioria entre as doutoras há mais de 20 anos, a proporção cai significativamente quando se analisa quem ocupa cargos permanentes como professoras e pesquisadoras.

Esse fenômeno é conhecido como “efeito tesoura”, quando as linhas de crescimento entre homens e mulheres se cruzam ao longo da trajetória profissional, reduzindo a presença feminina nos níveis mais altos da carreira acadêmica.

A disparidade se acentua nas áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Em cursos de engenharia, apenas 23% do corpo docente é feminino. Já nas ciências exatas e da terra, o percentual é de 24%. O próprio plano nacional aponta que o período da maternidade é um dos fatores que impactam diretamente a progressão profissional das pesquisadoras.

Incentivos e políticas públicas

Entre as estratégias voltadas à equidade de gênero na ciência, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) destina atualmente 58% das bolsas no país a mulheres. No caso de bolsas internacionais, elas representam 53% das concessões.

Em 2024, também foi ampliado em até 180 dias o prazo de conclusão de cursos ou programas de bolsa para mães que passaram por parto, adoção ou guarda judicial para fins de adoção — prazo que pode ser dobrado em caso de filho com deficiência.

Outro destaque é o programa Abdias Nascimento, que reserva 50% das bolsas de missões no exterior para pesquisadoras autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, pessoas com deficiência ou com altas habilidades.

Boas práticas e inspiração nas escolas

Projetos de incentivo à participação feminina em áreas científicas também vêm sendo desenvolvidos em parceria com universidades. Um exemplo é a iniciativa “Energizando a Equidade: meninas e mulheres impulsionando a transição energética”, coordenada pela professora Aline Cristiane Pan, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O projeto conecta ainda a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de escolas públicas do Sul do país. A proposta incentiva meninas do 9º ano do ensino fundamental a desenvolverem projetos científicos voltados à transição energética.

Uma das participantes foi a estudante Luiza da Rosa Machado, de 14 anos, da Escola Estadual de Educação Básica Prudente de Morais, em Osório (RS). Ao lado de colegas, ela desenvolveu um fogão solar utilizando antena parabólica, cola spray e manta térmica, como alternativa de baixo custo para aquecimento de alimentos.

A experiência também mudou sua percepção sobre a profissão. “Quando eu ouvia a palavra ‘cientista’, sempre pensava em um homem misturando poções em um laboratório. Com esse projeto, vi que vai muito além disso e que tem espaço também para mulheres trabalharem”, relatou.

Desafio estrutural

Apesar dos avanços na formação acadêmica, especialistas apontam que o desafio agora é garantir permanência, progressão na carreira e maior participação feminina em cargos de liderança na pós-graduação.

A ampliação de políticas de apoio à maternidade, incentivo à presença em áreas de ciência e tecnologia, e mecanismos de promoção da igualdade podem ser decisivos para reduzir a diferença e ampliar a representatividade feminina na produção científica brasileira.

Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias
Categories

Boletim Diário

Receba as últimas noticias de MS em primeira mão!

contato@mspantanalnews.com.br