PEIC aponta crescimento da inadimplência na Capital; cartão de crédito lidera como principal tipo de dívida

Da Redação
O percentual de famílias endividadas em Campo Grande chegou a 70,1% em janeiro de 2026, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). O índice é superior ao registrado em dezembro de 2025 (68,6%) e confirma tendência de alta no comprometimento financeiro na Capital.
Em números absolutos, 246.050 famílias possuem algum tipo de dívida no município. Em dezembro, eram 240.442, o que demonstra crescimento contínuo do indicador.
Na comparação anual, o avanço também é significativo: em janeiro do ano passado, o índice estava em 64%.
Endividamento é maior entre famílias de menor renda
O levantamento revela diferença expressiva entre as faixas de renda.
Entre famílias que recebem até 10 salários mínimos, o endividamento em Campo Grande atinge 72,5%. Já entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, o percentual cai para 58,2%.
Além disso, 42% das famílias de maior renda afirmaram não possuir dívidas, enquanto entre as de menor renda esse índice é de apenas 27,5%.
Cartão de crédito lidera dívidas
O cartão de crédito segue como o principal tipo de endividamento, citado por 69,2% das famílias.
Outros tipos de dívida mais mencionados incluem:
- Carnês (20,9%)
- Financiamento de casa (10,9%)
- Crédito pessoal (10,8%)
- Financiamento de carro (10,7%)
- Crédito consignado (9,7%)
Entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o financiamento de veículo aparece com destaque, alcançando 19,3%.
Inadimplência preocupa: mais de 100 mil famílias têm contas em atraso
A inadimplência em Campo Grande também apresentou avanço.
A pesquisa mostra que 42,2% das famílias endividadas possuem contas em atraso. Considerando o total de entrevistados, isso representa 29,6% das famílias da Capital.
Em números absolutos, 103.783 famílias estão com dívidas atrasadas.
Outro dado que chama atenção é que 12,5% das famílias afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas no próximo mês — o equivalente a 43.890 lares.
Entre os que estão inadimplentes:
- 15,6% acreditam que conseguirão pagar totalmente no próximo mês;
- 37,3% parcialmente;
- 42,3% afirmam que não terão condições de pagar.
O tempo médio de atraso é de 70 dias, e 51,5% estão inadimplentes há mais de 90 dias.
Renda comprometida acima de 50% cresce
A PEIC Campo Grande 2026 aponta que, em média, 29,9% da renda familiar está comprometida com dívidas.
Quase metade das famílias endividadas (49,2%) destina entre 11% e 50% do orçamento mensal ao pagamento de débitos. Já 15,5% comprometem mais de 50% da renda, cenário que aumenta o risco de superendividamento.
Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, 28,1% comprometem mais da metade do orçamento mensal com dívidas — percentual maior do que o registrado entre famílias de menor renda (13%).
Além disso, 39,2% dos entrevistados afirmam estar endividados há mais de um ano. Em média, os compromissos financeiros se estendem por 8,4 meses.
Impactos na economia local
O crescimento do endividamento das famílias pode provocar reflexos na economia da Capital, como retração do consumo, maior dificuldade de acesso ao crédito e aumento da insegurança financeira.
O cenário também aponta maior vulnerabilidade entre famílias de menor renda, que apresentam os maiores índices de inadimplência e menor capacidade de absorver oscilações como juros elevados e aumento do custo de vida.





