Imunizante amplia proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório, principal causa da doença em crianças pequenas

Por Karol Peralta
A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades passaram a ter acesso, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), à vacina contra a bronquiolite, uma das principais causas de internações infantis no Brasil. O medicamento disponibilizado é o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal que oferece proteção imediata contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), agente responsável pela maior parte dos casos da doença em crianças menores de dois anos.
Segundo informações do Ministério da Saúde, o nirsevimabe atua de forma diferente das vacinas tradicionais. Em vez de estimular o organismo a produzir anticorpos, o medicamento já fornece a proteção pronta, o que é considerado essencial para bebês com maior risco de complicações respiratórias.
Quem pode receber a vacina pelo SUS
São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Além deles, também poderão receber o imunizante crianças de até dois anos de idade que apresentem comorbidades associadas a maior risco de agravamento da bronquiolite.
Entre as condições incluídas estão doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida, e síndrome de Down.
Distribuição e prevenção
De acordo com o Ministério da Saúde, 300 mil doses do nirsevimabe já foram distribuídas em todo o país. O SUS também mantém a oferta da vacina contra o VSR para gestantes, aplicada a partir da 28ª semana de gravidez, estratégia que contribui para proteger os bebês desde o nascimento.
O Vírus Sincicial Respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por aproximadamente 40% das pneumonias registradas em crianças menores de dois anos, segundo dados oficiais.
Alta incidência de internações
Em 2025, até o dia 22 de novembro, o Brasil contabilizou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo VSR. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, o que representa 82,5% das ocorrências associadas ao vírus no período.
Os números reforçam a importância da prevenção, especialmente entre bebês mais vulneráveis, grupo que concentra a maior parte das internações e complicações.
Tratamento da bronquiolite
Como a maioria dos casos de bronquiolite é provocada por infecção viral, não existe tratamento específico para a doença. O manejo clínico é baseado no controle dos sintomas e pode incluir terapia de suporte, suplementação de oxigênio, hidratação adequada e uso de broncodilatadores, principalmente quando há chiado no peito.
Especialistas alertam que a prevenção, por meio da vacinação e do acompanhamento médico, é a principal estratégia para reduzir casos graves e internações.





