Projeto foi implantado na comunidade de Sikamabiu, em Roraima, após retirada do garimpo ilegal e integra plano de recuperação ambiental e segurança alimentar

Por Karol Peralta
O Governo do Brasil inaugurou na segunda-feira (2) a primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami, instalada na comunidade de Sikamabiu, na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. A iniciativa marca um avanço no processo de recuperação ambiental, segurança alimentar e fortalecimento da autonomia produtiva das comunidades indígenas, após a retirada do garimpo ilegal da área.
A unidade integra um conjunto de ações federais voltadas à reconstrução das condições de vida no território Yanomami, com foco no respeito aos modos de vida tradicionais e no uso sustentável da terra.
Projeto prevê ampliação para outras comunidades Yanomami
A estrutura inaugurada em Sikamabiu faz parte de um projeto mais amplo que prevê a implantação de outras sete unidades de soberania alimentar ainda em 2025. Ao todo, a iniciativa deve beneficiar 18 comunidades indígenas localizadas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.
As unidades demonstrativas combinam produção de alimentos, recuperação de áreas degradadas e capacitação comunitária, contribuindo para a retomada da autonomia produtiva após os impactos ambientais causados pelo garimpo ilegal.
Investimento e execução do projeto
A unidade de Sikamabiu recebeu investimento de R$ 90 mil, provenientes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Os recursos fazem parte de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Embrapa Roraima, responsável pela execução técnica do projeto, com apoio da Funai.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) participa da iniciativa por meio da capacitação dos moradores da comunidade, assegurando a continuidade das atividades produtivas.
Produção sustentável e recuperação ambiental
Na área inaugurada foram implantadas estruturas voltadas à produção sustentável de alimentos, como um aviário com 100 galinhas, um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, incluindo açaí e cacau, além de tanques de compostagem para produção de adubo natural.
As roças comunitárias contam com o cultivo de mandioca, batata e arroz, além da implantação de Sistemas Agroflorestais, voltados à recuperação de áreas degradadas pela atividade ilegal.
Criação de peixes e monitoramento ambiental
Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Outros dois açudes, anteriormente utilizados pelo garimpo ilegal, passaram por recuperação ambiental e foram transformados em criadouros.
Testes realizados nas áreas confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo a reintegração desses espaços ao sistema produtivo. Ao todo, os três criadouros abrigam cerca de 4 mil filhotes de peixes.
Autonomia produtiva da comunidade
A comunidade de Sikamabiu reúne aproximadamente 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. Onde antes operavam dragas e motores utilizados no garimpo ilegal, hoje são desenvolvidas atividades voltadas à produção de alimentos, fortalecendo a segurança alimentar e a autonomia da população local.
Criação de tambaqui amplia produção de proteína
Além das ações coordenadas pelo MDS, a comunidade também recebeu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com a instalação de 10 tanques elevados para criação de tambaqui, que abrigam outros 4 mil filhotes.
A iniciativa inclui a formação de 34 indígenas, responsáveis pelo manejo dos tanques. A estimativa técnica é que a produção de proteína animal alcance cerca de 1 tonelada até o final de 2026.
Outras ações no território Yanomami
A agenda do Governo Federal em Roraima incluiu ainda a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, em Boa Vista, voltado ao atendimento especializado e à proteção contra violações de direitos humanos.
As ações fazem parte do Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, coordenado pela Funai, que articula políticas públicas de diferentes ministérios. A Terra Indígena Yanomami possui 9,6 milhões de hectares e abriga cerca de 31 mil indígenas, sendo a maior do Brasil em extensão territorial.





